Quem faz parte do gabinete político de Fernando Medina

Quem faz parte do gabinete político de Fernando Medina
Marco Alves 23 de junho de 2021

Inclui três motoristas, uma assessora que ganha €4.615, mas não tem funções definidas, e um assessor que aparece na Operação Marquês a receber €3.500/mensais de Sócrates.

Quando, em fevereiro de 2020, Fernando Medina foi à Junta de Freguesia de Benfica (PS) buscar a sua presidente, muito se falou da transferência. Inês Drummond, na altura com 45 anos e uma carreira anterior como assistente de bordo na TAP, ia no terceiro mandato na junta (não poderia, por isso, recandidatar-se) e foi para a CML ganhar €4.615 por mês (€3.752,50 mais IVA) para uma função que nunca foi explicada.

Segundo consta no seu contrato, Drummond foi exercer uma função cuja descrição não diz nada em concreto: "Prestação de serviços de assessoria no âmbito da definição, desenho, implementação e avaliação de políticas públicas, incluindo o acompanhamento de reuniões do executivo, por forma a assegurar o apoio à atividade e suprir as necessidades técnicas verificadas, bem como implementar e suportar a necessária articulação da atividade autárquica desenvolvida."

Inês Drummond faz parte do Gabinete do Presidente, que, segundo definido no início deste mandato (ver aqui) teria "sete assessores e duas pessoas para apoio administrativo" com um limite remuneratório bruto anual nos €45.000 (€3.214 por mês). Inês Drummond, por exemplo, ganha €3.752,50 líquidos. E o número de assessores é muito maior.

A única vítima já anunciada por Medina, no caso da partilha de dados pessoais com a embaixada russa, faz parte de outra estrutura, o Grupo de Apoio ao Presidente (GAP) e é António Santos, responsável pelas manifestações, ou seja, rececionar as informações prestadas pelos promotores e remetê-las às autoridades competentes. Foi exonerado de funções por Fernando Medina (ou tal foi anunciado) por alegadamente ter desrespeitado um despacho de António Costa (na altura presidente da câmara) que indicava que só a PSP e o MAI deveriam ter conhecimento dessas manifestações e dos seus promotores.

No entanto, pelo menos desde 2019 que no GAP se sabia que isso não estava a acontecer, a ver pela resposta que Luísa Botinas, assessora de imprensa de Medina, deu ao Comité de Solidariedade com a Palestina, que detetara o mesmo problema nessa altura e pedira esclarecimentos à CML: "Sempre que um país é visado pelo tema de uma manifestação, a sua representação diplomática no nosso país é informada." No caso, a embaixada de Israel foi informada da manifestação e dos seus promotores. Nesse email, Luísa Botinas diz que o mesmo tinha sido feita com a China e a Venezuela, em manifestações de protesto semelhantes.

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