Human Rights Watch: "Rússia vive repressão sem precedente, Lisboa não devia ter enviado dados"

Human Rights Watch: 'Rússia vive repressão sem precedente, Lisboa não devia ter enviado dados'
Bruno Faria Lopes 11 de junho

Rachel Denber, perita sobre Rússia, aponta que este é um momento especialmente delicado para informar as autoridades russas sobre dissidentes - e que os dados ficam na mão dos serviços secretos.

O momento escolhido pela Câmara Municipal de Lisboa para entregar informação pessoal sobre três ativistas russos que pediram autorização para promoverem um protesto na capital portuguesa não podia ter sido pior. Rachel Denber, vice-diretora da Human Rights Watch (HRW), uma organização internacional de defesa dos direitos humanos, afirma que o regime russo está em plena escalada de repressão contra dissidentes e que informação como a que foi passada por Lisboa põe em risco os ativistas.

"As autoridades russas estão no meio de uma onda de repressão contra os seus críticos sem precedentes em 30 anos, especialmente contra aqueles que organizam protestos públicos", afirma Rachel Denber à SÁBADO. "Revelar os dados das pessoas que organizam protestos, mesmo no estrangeiro, põe-nas em risco", acrescenta.

Quando este tipo de informação chega à embaixada russa em Portugal – que é uma extensão das autoridades russas em território português – tipicamente passa pelos olhos e análise dos serviços secretos russos, explica Dunbar. O pedido do Ministro dos Negócios Estrangeiros português Augusto Santos Silva, para que as autoridades russas "apaguem os dados", mereceu um sorriso por parte de Rachel Denber, que não quis comentar as garantias do embaixador russo de que essa informação foi de facto destruída. "O ponto não é esse", afirmou. "O ponto é que Lisboa não deveria partilhar estes dados no meio da uma vaga sem precedentes de repressão", repetiu.

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