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Presidente do Parlamento do Irão ironiza palavras de Trump e minimiza impacto do bloqueio de Ormuz

Lusa 13:41
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Líder norte-americano afirmou que a indústria petrolífera iraniana "explodiria" com as restrições impostas pelos Estados Unidos.

O Irão desvalorizou esta quinta-feira o impacto do bloqueio norte-americano ao estreito de Ormuz e ironizou com declarações do Presidente norte-americano, que afirmou que a indústria petrolífera iraniana "explodiria" com as restrições impostas pelos Estados Unidos.

Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump, presidente dos EUA AP

"Já passaram três dias e nenhum poço explodiu. Poderíamos prolongar para 30 [dias] e transmitir em direto a partir dos poços aqui", escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf nas redes sociais, aludindo ao facto de Donald Trump ter dito, a 26 deste mês, que a infraestrutura petrolífera iraniana "explodiria" em três dias devido às restrições às exportações.

"Este é o tipo de conselho sem valor que a administração dos Estados Unidos recebe de pessoas como [Scott] Bessent", afirmou, numa referência ao secretário do Tesouro norte-americano.

Ghalibaf acusou Bessent e outros responsáveis norte-americanos de "promoverem a teoria do bloqueio", que levou a que "o preço do petróleo ultrapasse a barreira dos 120 dólares [102,45 euros)".

"Próxima paragem: 140 [dólares -- 119,53 euros]", alertou o presidente do Parlamento iraniano, antes de insistir que "o problema não é a teoria, mas a mentalidade".

Durante o dia, o presidente do Irão, Massoud Pezeshkian, sublinhou que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos "está condenado ao fracasso", defendendo que Teerão continua a garantir a liberdade de navegação na zona, "exceto para os países hostis", numa referência a navios norte-americanos e israelitas.

Pezeshkian adiantou que o bloqueio só irá agravar a instabilidade no Golfo Pérsico.

"Todas as tentativas de impor um bloqueio marítimo são contrárias ao direito internacional [...] e estão condenadas ao fracasso", declarou Pezeshkian num comunicado, depois de um alto funcionário da Casa Branca ter mencionado uma possível extensão do bloqueio "por vários meses".

As autoridades iranianas anunciaram a 17 de abril o fim das restrições ao trânsito na zona, depois de ter sido confirmado no dia anterior um cessar-fogo temporário no Líbano, embora tenham indicado que voltariam a impô-las após Trump ter afirmado, em resposta, após elogiar a decisão de Teerão, que as forças dos Estados Unidos manteriam o bloqueio à via.

O próprio Trump anunciou posteriormente a extensão do cessar-fogo temporário alcançado a 08 de abril, após um pedido do Paquistão, que está a mediar o processo diplomático, embora tenha insistido que o bloqueio se manterá.

O bloqueio e o recente ataque e apreensão de navios iranianos na zona têm sido argumentos invocados por Teerão para não se deslocar a Islamabade, considerando que estas ações constituem uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo.

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