Na oitava cimeira da Comunidade Política Europeia, marcada para segunda-feira.
Líderes de mais de 40 países da Europa foram convidados para debater as guerras da Ucrânia, Médio Oriente e assegurar estabilidade europeia, na oitava cimeira da Comunidade Política Europeia, marcada para segunda-feira na Arménia.
Os 27 países da União Europeia vão à reuniãoDR
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, não participará por motivos de agenda no encontro de alto nível que decorre na capital arménia, Erevan, e será antecedido por um jantar entre os líderes presentes no domingo à noite.
Sob o lema "Construir o futuro: unidade e estabilidade na Europa", foram convidados 48 chefes de Estado e de Governo europeus, incluindo dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE), para "discussões substanciais sobre segurança e prosperidade europeias num ambiente informal", referiu um alto funcionário europeu falando na antevisão do encontro.
A agenda da reunião refere, por seu turno, que "numa altura de profundas transformações geopolíticas, os líderes irão debater formas de cooperar mais estreitamente e coordenar as suas ações para reforçar a resiliência democrática, promover a conectividade e reforçar a segurança económica e energética".
O Canadá, representado pelo primeiro-ministro, Mark Carney, participa como convidado especial, sendo a primeira vez que um país não europeu integra uma cimeira da Comunidade Política (CPE).
"A Europa e o Canadá são mais do que parceiros com a mesma visão - juntos estamos a construir uma aliança global para defender a paz, a prosperidade partilhada e o multilateralismo", afirmou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, numa mensagem a anunciar tal presença.
Outra novidade desta cimeira da CPE é o facto de se realizar pela primeira na região do Cáucaso, marcada por tensões históricas e conflitos territoriais, visando reconhecer o percurso geopolítico da Arménia e também assinalar os esforços de paz com o Azerbaijão relativamente a Nagorno-Karabakh, que tornou possível a reunião neste local, segundo fontes comunitárias.
O conflito em Nagorno-Karabakh, território entre a Arménia e o Azerbaijão, tem origem no período soviético, mas, após a guerra de 2020 e confrontos em 2023, Baku assumiu o controlo total, seguindo-se negociações mediadas pela União Europeia que dão agora sinais de redução das tensões, apesar de persistirem desafios relacionados com fronteiras e segurança.
A reunião será dominada pelo contexto internacional, dado que a UE quer manifestar o seu apoio contínuo à Ucrânia face à invasão russa e que o conflito no Médio Oriente continua a ter implicações energéticas.
"A segurança europeia é, portanto, um desafio de 360 graus", apontou uma fonte europeia.
Atualmente, dois dos principais focos de conflito global são a guerra na Ucrânia iniciada com a invasão pela Rússia em 2022 e a escalada de violência no Médio Oriente devido aos ataques de Israel e Estados Unidos iniciados no final de fevereiro passado ao Irão, mas também à ofensiva israelita no Líbano e na Palestina.
Quanto ao Cáucaso, a estratégia da UE passa por reforçar a sua influência através de apoio político, económico e institucional, tentando ao mesmo tempo reduzir a dependência destes países em relação à Rússia.
Esta aproximação deverá ser abordada na cimeira UE-Arménia que se realiza no dia seguinte, na terça-feira, em Erevan, sendo a primeira reunião de alto nível entre os dois blocos.
Outra questão que será abordada em ambas as ocasiões diz respeito à propaganda russa, quando a UE afirma observar "campanhas massivas de desinformação" relativas às eleições parlamentares na Arménia, marcadas para junho, tendo já sido destacada uma equipa híbrida de reação rápida para ajudar as autoridades arménias a preservar a integridade do sufrágio.
A cimeira da CPE, de segunda-feira, será composta por uma sessão plenária de abertura, mesas-redondas temáticas (sobre resiliência democrática e ameaças híbridas e sobre conectividade, segurança económica e transição verde) e por reuniões bilaterais e multilaterais.
A Comunidade Política Europeia é uma plataforma de diálogo e cooperação que junta países da UE e vários Estados vizinhos do continente, criada em 2022, em contexto de invasão russa da Ucrânia.
Surgiu para promover a concertação política em temas estratégicos, como segurança, estabilidade, energia e prosperidade económica, especialmente face a desafios geopolíticos crescentes.
Embora não seja uma organização com caráter vinculativo, funciona como um espaço de coordenação informal entre líderes europeus e parceiros, permitindo alinhar posições e reforçar a cooperação em questões de interesse comum para o continente.
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