A Rússia fornecia armas à Venezuela em troca de petróleo e a China era a principal consumidora. Agora, com a invasão norte-americana, os rivais de Trump estão impedidos de acederam às maiores reservas petrolíferas do mundo.
Depois de terem capturado o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de terem lançado vários ataques sem precedentes em Caracas, os Estados Unidos avançaram que planeiam agora assumir o controlo das reservas de petróleo venezuelanas. Segundo os especialistas, a ideia será as empresas petrolíferas norte-americanas investirem milhares de milhões na indústria petrolífera venezuelana para depois os Estados Unidos impedirem rivais como a China ou a Rússia de acederam às maiores reservas petrolíferas do mundo.
Disputa pelo petróleo venezuelano entre China, Rússia e Cuba Foto AP/Matias Delacroix
China
Além dos Estados Unidos, também a China e a Rússia têm interesses económicos no petróleo venezuelano: ambos os países investem fortemente nesta matéria. Só nas últimas duas décadas as empresas chinesas investiram 4,8 mil milhões de dólares (4 milhões de euros) na Venezuela, segundo dados da Rhodium Group citados pela Times Brasil e, além disso, a empresa chinesa CNPC tem uma parceria estratégica com a empresa de petróleos venezuelana PDVSA. Isto faz da China a maior consumidora deste petróleo.
A invasão norte-americana preocupa, por isso, Pequim e Moscovo que vêem agora a segurança energética ameaçada e que entretanto já pediram a libertação do presidente venezuelano deposto. A China "não aceitará que nenhum país se assuma como o juiz do mundo", afirmou na segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. São "hipócritas e cínicos", acrescentou o embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya.
Rússia
As grandes reservas de petróleo também sempre atraíram Moscovo. O presidente russo chegou até a expressar o desejo de implementar projetos conjuntos relacionados com a economia e o setor energético e em troca, a Rússia fornecia a Venezuela militarmente. A prova disso foi que a Rússia construiu fábricas de armas em território venezuelano. Imagens de exercícios militares recentes mostram também os soldados venezuelanos a usar veículos blindados e armamentos de fabricação russa.
Os interesses de ambas as partes acabou, assim, por criar uma ligação muito forte entre ambos os países. Em meio de tensões com os Estados Unidos, Vladimir Putin afirmou apoio total a Maduro e ofereceu-se para responder aos pedidos de ajuda dos venezuelanos. Isso justifica o facto de Maduro ter recebido a opção de "ir para a Rússia" antes de ser capturado, como contou o senador republicano dos EUA, Markwayne Mullin.
Cuba
Mas nem sempre os países recorrem à Venezuela como fonte estratégica. Há quem necessite realmente do petróleo venezuelano: é o caso de Cuba. Venezuela possui atualmente 303 mil milhões de barris de petróleo - cerca de 20% das reservas globais - destes, 100 mil são enviados para Cuba.
Desde 2024 que Cuba tem registado apagões. Motivos para a queda de energia são as infraestruturas antigas, a falta de investimento e a escassez de combustível - cenário este que acaba por afetar a sua economia.
Conhecendo este cenário, os Estados Unidos decidiram apreender, em dezembro, um petroleiro que seguia em direção a Cuba - uma forma de conter uma parte do financiamento do regime venezuelano. O navio Skipper levava óleo e derivados de petróleo para a ilha caribenha. Na altura, Cuba condenou o ato dos EUA e chamou-o de "terrorismo marítimo".
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