Moniz da Maia: A Interpol já procurou este milionário

Moniz da Maia: A Interpol já procurou este milionário
Ana Taborda 30 de abril

Chegou a ter um mandado de captura internacional – entretanto retirado –, perdeu um jacto e um iate para pagar dívidas. Bernardo está a reorganizar os negócios da família: tudo começou com a construção da auto-estrada Lisboa-Caxias, depois veio a fábrica de tomate que acabou com o desemprego na Azambuja e a entrada no BCP com mais acções que Américo Amorim.

Artigo publicado a 3 de Julho de 2018. Bernardo Moniz da Maia foi ouvido esta sexta-feira, 30 de abril, na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução como um dos grandes devedores do banco.

O primeiro telefonema foi feito no dia 11 de Maio, pelas 12h50, para o telemóvel de Bernardo Moniz da Maia. Do outro lado, a pessoa que atendeu, também um homem, respondeu tranquilamente: "Ah, o sotor está em reunião. Quer deixar mensagem?". O mandado de captura internacional da Interpol tinha sido emitido há cerca de um mês e meio e o empresário continuava, aparentemente, a trabalhar como se nada fosse – pelo menos era essa a informação transmitida à SÁBADO. "Sim, está aqui na empresa". No mercado, os rumores eram outros: quando foi considerado um fugitivo à justiça (primeiro no Brasil, em 2016), Bernardo, 56 anos, teria regressado a Portugal; depois, com o mandado internacional, fugira mesmo do País (o Panamá colhia a maior parte das apostas). Fonte próxima – Bernardo Moniz da Maia nunca aceitou falar com a SÁBADO – nega a informação.

Duas semanas mais tarde, no dia 26 de Maio, a própria Interpol enviava uma nova carta: o empresário tinha deixado de ser procurado e saíra das bases de dados da Polícia Criminal. "Reconheceram que o pedido de cooperação apresentado pelas autoridades brasileiras não tinha fundamento legal", diz a mesma fonte. Em causa estavam suspeitas de associação criminosa, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, num processo que teria lesado o Estado brasileiro em mais de 3,5 milhões de euros. Bernardo teria sido incriminado por Firmino Rocha, ex-funcionário do Grupo Yser, num processo de delação premiada - foi Firmino Rocha quem acusou a Yser de ter financiado ilegalmente uma campanha política em troca de benefícios num contrato que beneficiaria a empresa da família, onde ambos trabalhavam (Firmino liderava os negócios no Brasil e era administrador de várias empresas em Portugal). Fonte oficial do grupo confirma apenas que "neste momento o processo-crime no Brasil foi anulado, pois o supremo tribunal entendeu que o juiz de Frutal [Minas Gerais] é territorialmente incompetente para julgar [o caso]." E confirma também que apresentou uma queixa-crime contra o ex-funcionário (ver texto nas próximas páginas).

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