Moniz da Maia, que deixou calote de 532 milhões no Novo Banco, "não se lembra", "não se recorda"

Moniz da Maia, que deixou calote de 532 milhões no Novo Banco, 'não se lembra', 'não se recorda'
Bruno Faria Lopes 30 de abril

Novo Banco vendeu por 6 milhões de euros a um fundo a dívida de 538 milhões da Sogema de Moniz da Maia. No Parlamento, Bernardo Moniz da Maia, que fintou o banco, mostrou muita falta de memória.

O Novo Banco vendeu por seis milhões de euros a dívida de 538 milhões de euros da Sogema, a holding de Bernardo Moniz da Maia. A dívida era a maior da carteira Nata2, um pacote de calotes de grandes devedores que foi vendido em Setembro de 2019 ao fundo Davidson Kempner. O valor da venda, revelado na comissão de inquérito, confirma que a família Moniz da Maia abriu um calote superior a 532 milhões de euros no Novo Banco.

Na comissão de inquérito do Novo Banco, Bernardo Moniz da Maia foi alegando falta de memória e de conhecimento, entre explicações pouco claras, sobre a forma como conseguiu estes milhões em crédito - e, acima de tudo, sobre as fintas que fez ao Novo Banco que procurava recuperar o dinheiro. "Não me recordo", que me recorde", "não tive conhecimento", "não estive nessas reuniões" foram respostas comuns ao longo da audição.
 
A Sogema tinha em meados de 2019 cerca de 538 milhões de euros em dívida ao Novo Banco, dos quais 535 milhões de euros estavam em incumprimento pelo menos desde 2014, segundo um documento noticiado pela SÁBADO no verão desse ano. Cerca de 330 milhões de euros eram dívida que Moniz da Maia - que era próximo da família Espírito Santo e que chegou a ocupar cargos nos orgãos sociais - usara para comprar ações do BCP, na guerra acionista pelo controlo desse banco em 2007.

Moniz da Maia confirmou que recebeu créditos de centenas de milhões de euros do BES na era de Ricardo Salgado para comprar ações do BCP dando como garantia as próprias ações - o tipo de prática que causou largas centenas de milhões de euros em perdas no BES e também na Caixa. Quando estas começaram a cair de valor, Moniz da Maia deu como reforço de garantias apenas as participações das empresas da holding Sogema. Há operações de dezenas de milhões de euros feitas pelo BES sem qualquer garantia. 

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