#eufuiassediada: 17 mulheres denunciam assédio sexual

17 mulheres contam como foram vítimas de assédio sexual. O que, em alguns casos, as obrigou a mudar de carreira ou de comportamento.

Sofia Arruda falou e reacendeu o debate que em 2018 se iniciou em Hollywood e que correu o mundo com o hashtag #MeToo. A atriz denunciou numa entrevista que foi vítima de assédio num canal de televisão. Depois de ter exposto o que lhe aconteceu – esteve sete anos sem trabalhar por ter dito não a uma "aproximação menos profissional" de uma pessoa com muito poder daquela estação –, as redes sociais foram inundadas por histórias, sobretudo de mulheres, que também passaram pelo mesmo. Como: "Só quem nunca foi assediado no seu local de trabalho por alguém, superior hierárquico, pode dizer: 'Mas porque nunca apresentou queixa?' É dificílimo fazer prova de assédio. Sabem o que fiz das duas vezes? Despedi-me" ou "O meu chefe passava a vida a deixar-me desconfortável, da primeira vez bateu-me com a agenda no rabo e disse: 'Tens sorte que foi com o caderno, se fosse com a mão era até ficares roxa.'"

Os números têm peso: 79% das mulheres dizem já ter passado por situações de assédio sexual no trabalho, segundo o estudo As Mulheres em Portugal, Hoje, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, publicado em fevereiro de 2019. Mais: em contexto académico são 94,1%, de acordo com a UMAR Coimbra. Segundo estatísticas internacionais, mais de dois terços dizem já ter sofrido assédio sexual em locais públicos e só 25% receberam ajuda. Mas o enquadramento legal para uma situação como esta não é muito claro. Se for entendido como assédio – que no Código de Trabalho é definido como "um comportamento indesejado com o objetivo de perturbar ou constranger a pessoa e afetar a sua dignidade" – trata-se de uma contraordenação muito grave, apenas com lugar a indemnização. E mesmo sendo considerado importunação sexual, não é crime público e, como tal, depende de uma queixa da própria vítima, que só pode ser feita nos seis meses seguintes.

Numa tentativa de não deixar esmorecer novamente o assunto, a SÁBADO dá voz a 17 mulheres, conhecidas e anónimas, que foram alvo de assédio – no trabalho, na rua, nos transportes públicos, na praia –, para que mais lhes sigam o exemplo. 

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