Sábado – Pense por si

João Pereira Coutinho
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor

Filmes de terror

O alegado roubo no gabinete parlamentar do Chega é pura encenação? Deus me livre de tal pensamento: a realidade, ao contrário da ficção, nem sempre é verosímil. Significa apenas que, no dia em que o dr. Ventura pretender levar aos ecrãs este episódio, terá de o alterar significativamente. Ninguém pagaria bilhete para um filme tão mal-amanhado.

A preto e branco

O que acontece quando a inteligência humana, deslumbrada consigo própria, deixa de reconhecer limites morais? A pergunta pode parecer supérflua para a cabeça acelerada de Elon Musk – um Ulisses moderno, com a mesma arrogância do antigo. Mas, em tempos sombrios para a civilização ocidental, é de aplaudir que exista um realizador de cinema que ainda tenha espaço e talento para a formular.

Memorando de desentendimentos

E é esta mesma Europa, tão fecunda nas suas lamúrias, que deplora o afastamento anunciado dos Estados Unidos em matérias de defesa! Quando leio notícias destas, não é o afastamento dos americanos que me espanta; é o facto de, apesar de tudo, eles ainda por cá andarem.

Aberrações de circo

Quando Trump pediu clemência para Balogun antes do jogo com a Bélgica, limitou-se a repetir uma prática antiga. Mas enquanto os seus antecessores manobravam na sombra, Trump exibiu o abuso às claras

A guerra continua

Os avisos americanos são sérios e devem ser levados a sério. Para que a Europa não acorde amanhã como acordou naquela madrugada de 2022: pasmada e perdida.

Temor e tremor

Uma democracia, por definição, precisa de cidadãos autónomos capazes de se autogovernarem. A cultura do medo corrói estas virtudes democráticas até só restar um rebanho temente e obediente, o sonho húmido de qualquer tirano.

Somos todos americanos

As democracias liberais em que vivemos são americanas na origem. O que hoje nos parece incontornável e banal - a separação de poderes, a protecção de direitos individuais contra o arbítrio do Estado, a liberdade de expressão, a legitimidade do poder assente no consentimento dos governados - foi forjado em 1776 e nos anos que se seguiram

Ilusões perdidas

Durante semanas, a esquerda portuguesa acreditou que o Chega seria o parceiro da AD para “atraiçoar” os trabalhadores, aprovando a reforma laboral.

Manicómios

Nada disto durará se Ronaldo, no Mundial, regressar aos golos. Aqueles que o crucificaram com fúria serão os mesmos a erguer-lhe um altar

A descivilização ocidental

Em França, a destruição sazonal já faz parte do calendário. E, como lembrava o nosso Eça, de França tudo nos chega pelo paquete – como, aliás, tem chegado: dos cocktails Molotov nas marchas contra o aborto aos pirómanos de rosto coberto junto à escadaria do Parlamento, vai crescendo por cá um certo gosto por estes passatempos, usualmente com o carimbo da extrema-esquerda.

Abusos de confiança

Difícil de aceitar é ter António José Seguro como tutor do Governo e chefe da Oposição – duas tarefas para as quais não foi eleito. E que serão lembradas por uma parte do seu eleitorado nas próximas presidenciais.

Diário brasileiro (2)

Desde que Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, foi apanhado a pedir dinheiro ao alegado criminoso Daniel Vorcaro, cortei no sono e nas refeições só para acompanhar a telenovela em permanência.

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