Sábado – Pense por si

João Pereira Coutinho
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor

Lua de mel, Lua de fel

O futuro da raça humana pode bem passar pela expansão espacial. Quem sabe? Precisamente: ninguém. E esse é o ponto. A história da ciência é uma busca sem fim definido, sem solução final clara, aberta a múltiplos desfechos.

Mundos fechados

A posição estratégica da AD não é uma questão de ‘rendição’; é uma tentativa de emagrecer o mamute pela restrição da sua dieta.

Números primos

A dependência financeira da União Soviética durante a Guerra Fria e, mais recentemente, do petróleo da Venezuela só serviu para mascarar as ruínas que o regime produziu por sua conta e risco. A revolução falhou para os cubanos. Mas, para os turistas, o regime que interessa é outro – e vem com tudo incluído.

Grandes ilusões

Portugal optou pela estratégia infantil: fazer de conta que André Ventura, no imortal papel de bicho-papão, pode desaparecer pela força do pensamento mágico.

Exercícios de imaginação

A sinóloga Yun Sun publicou na Foreign Affairs um ensaio alarmante sobre os planos de Xi Jinping para Taiwan já em 2026. Tese central? As esferas de influência, quando nascem, são para todos. E Trump não parece particularmente comprometido com a defesa de Taipé se puder obter benefícios comerciais ou financeiros de Pequim.

O método na loucura

No Irão, a mesma coisa: se a China é cliente premium do petróleo iraniano (com desconto), talvez seja hora de Teerão mudar de clientela e, já agora, ter outros modos à mesa, deixando de alimentar grupos terroristas que têm sangue americano e israelita nas mãos.

Atracções fatais

A barbárie de Putin, pelos vistos, não comove o PCP. Felizmente, tem comovido os eleitores, que reduziram o partido a três gatos pintados. Se um dia a bancada ficar vazia, será também por causa da Ucrânia.

Questões de sobrevivência

Com ganhos territoriais mínimos e um sacrifício humano colossal, Putin vive o dilema de todos os tiranos: sabe que tem de parar e sabe que não pode parar. Que fazer?

Sozinhos em casa

Os adultos de hoje não querem que os filhos andem lá fora, na tarefa arriscada de serem crianças. Também não querem que andem cá dentro, na Internet – o que implicaria vigilância

A pornografia da virtude

O liberalismo, como modo de vida, nunca criou raízes profundas nesta terra bruta. O português médio sempre preferiu os confortos da unanimidade — e, quando necessário, da inquisição. É isso que explica que, seis anos depois, o dr. Ventura continue a não ser pensável.

Novo dicionário presidencial

Seguro lembra a Suíça: previsível, rotineira, neutra no bom sentido. Se fizer o que promete – não extravasar a Constituição, colaborar para resolver problemas, actuar sem amarras partidárias e usar a palavra com conta, peso e medida – é preferível esta Suíça a qualquer alternativa tropical ou africana.

Futuros radiosos

Se, nesta segunda volta, André Ventura não crescer significativamente para lá dos seus territórios tradicionais, sobretudo contra um candidato socialista, a “liderança da direita” só servirá como ornamento.

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