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Líder do Chega repisou nos temas de sempre. Almirante, muito mais à vontade em debates, assumiu posição sobre perda de nacionalidade
Como o moderador disse no início, e bem, era um dos debates
mais aguardados, se não o mais. Foi também um dos melhores e mais civilizados, muito
por culpa da pose séria e institucional de Gouveia e Melo, que obrigou André
Ventura a ser mais contido (só o vimos assim há cinco anos, a debater com Marcelo
Rebelo de Sousa). A ausência de currículo político-partidário do militar também
destrunfava Ventura, que só tinha duques para pôr na mesa, desde o apoio
de José Sócrates a Gouveia e Melo até ao alegado apoio do PS.
Gouveia e Melo e André Ventura num ringue para as presidenciais de 2026Rúben Sarmento/Sábado
Ventura repetiu todos os chavões que tão bons frutos lhe
têm dado, dos ciganos aos subsídios, da vitimização ao Bangladesh, aos “murros
na mesa” e à “conversa de chacha”. Gouveia e Melo centrou-se numa mensagem de independência
do face aos partidos e de união como única via para o progresso do país. Deixou também claro que o houve imigração "sem controlo, desregulada, e acabámos por ter mais imigrantes do que conseguíamos absorver de forma a integrá-los bem. e hoje temos um problema".
O assunto veio à baila porque Ventura estava presente, porque é esse o ar dos tempos e porque na ordem do dia estava o chumbo pelo Tribunal Constitucional
da chamada Lei da Nacionalidade.
André Ventura insistiu ao longo do debate que Gouveia e Melo
“quer agradar a toda a gente”. O ataque faz sentido e houve uma altura em que
Ventura insistiu com o ex-militar para que se decidisse e dissesse qualquer coisa
de concreto. Deu o exemplo de alguém que adquire a nacionalidade e depois é
condenado por violação. Concorda ou não que deve perder a nacionalidade?
“Não concordo”, respondeu Gouveia e Melo. “Tal como um português
[de nascimento] não perde. Nós é que decidimos os critérios para dar a nacionalidade
a alguém passados 10 anos.” Ventura respondeu que “nós não sabíamos que ele ia
cometer um crime”. “E o senhor consegue dizer que nunca vai cometer um crime no
futuro?” O almirante chegou a sugerir ao líder do Chega que o melhor será ir para
a Assembleia da República defender que não se dá a nacionalidade a ninguém. e se quisesse seguir o modelo de outros países, que retiram a nacionalidade, que mudasse a Constituição.
Ventura acabou por dizer que não dar a nacionalidade a ninguém não era isso que defendia. Este contragolpe de Gouveia e Melo mostrou bem como está muito mais à vontade e expedido a debater.
O embaraço
Não houve propriamente golos na própria baliza de cada um
dos debatentes. Talvez a jogada mais embaraçosa tenha sido quando Ventura quis
colar Gouveia e Melo a Mário Soares (fazendo o contraponto consigo, que diz ter
como modelo Ramalho Eanes), dizendo que ter o socialista como referência “é uma
traição às Forças Armadas e aos retornados”. Ou seja, fazia uma referência ao
papel de Soares na descolonização. Azar dos Távoras, e Gouveia e Melo lembrou-o
logo disso, tinha à sua frente um retornado e militar das forças armadas. “O doutor André Ventura fala de retornados, mas ele não é, eu sou. E
estive nas forças armadas, e seu muito bem o que os partidos impuseram aos políticos
na altura. Sem eles teríamos um governo comunista, de extrema esquerda, e se
calhar o dr. André Ventura não poderia estar aqui.”
O KO
Mais uma vez, a lei da Nacionalidade. Ventura repisou o
tema do Bangladesh e Gouveia e Melo sugeriu que não aceita lições nessa matéria
porque “toda a vida” defendeu a bandeira a e Constituição. “Mais uma vez o meu adversário
diz tudo para agradar a toda a gente”, ripostou Ventura, o que provocou o
seguinte diálogo:
Gouveia e Melo: “Sabe quem ganhou mais a nacionalidade? Não
foi o Bangladesh…”
André Ventura: “Foi Israel…”
Gouveia e Melo: “Ah, bom, é bom que o diga. E como é que
foi? Comprando muitas vezes a nacionalidade…”
André Ventura: “Eu estou contra a compra, sejam eles do Brasil,
Bangladesh, Israel…”
Gouveia e Melo: “Então já estamos os dois do mesmo lado…”
Provavelmente o almirante sabia que André Ventura é um
dos políticos portugueses mais pró-Israel, uma espécie de Ted Cruz português.
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