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Irão: Itália envia dois navios caça-minas de Ormuz para atuarem quando houver paz

Lusa 10:59
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Apenas intervirão no caso de ser alcançado um acordo de paz entre EUA e Irão.

A Marinha italiana tem dois navios caça-minas a aproximarem-se do Estreito de Ormuz, mas apenas intervirão no caso de ser alcançado um acordo de paz entre EUA e Irão, anunciou esta quarta-feira o ministro da Defesa, Guido Crosetto.

Guido Crosetto, ministro da Defesa de Itália
Guido Crosetto, ministro da Defesa de Itália AP

Dirigindo-se ao parlamento italiano, em Roma, o ministro da Defesa afirmou que o envio dos dois navios está a ser feito a título de precaução, já que, "caso se instaure a paz, demoraria quase um mês de navegação para que todas as unidades das nações aliadas chegassem ao Golfo".

"É por isso que também nós nos estamos a organizar para nos aproximarmos desta zona, mantendo-nos, no entanto, a uma distância de segurança. Estamos a providenciar o posicionamento de dois caça-minas relativamente perto do Estreito, inicialmente no Mediterrâneo Oriental, depois no Mar Vermelho, no âmbito de missões em curso, como as missões 'Mediterraneo Sicuro' e 'Aspides', dentro do quadro autorizado da missão internacional da Itália", explicou Crosetto.

O ministro insistiu que a condição prévia para qualquer mobilização militar é "uma trégua real, credível e estável, ou, melhor ainda, uma paz definitiva" entre o Irão e os Estados Unidos, e não o cessar-fogo "temporário" atualmente em vigor, e que o próprio Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu esta semana ser bastante frágil.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, que também participou na sessão conjunta das comissões parlamentares de Defesa e de Relações Externas, sublinhou que não se trata de uma nova missão militar no Golfo.

"Vamos dissipar quaisquer mal-entendidos: não queremos pedir autorização para uma nova missão militar no Golfo, mas queremos partilhar o compromisso do governo com a paz e o caminho que poderá conduzir ao nosso envolvimento na coligação internacional", disse Tajani, que é também vice-primeiro-ministro no executivo liderado por Giorgia Meloni.

Em meados de abril, vários países não diretamente envolvidos no conflito desencadeado a 28 de fevereiro pelos ataques norte-americano e israelitas ao Irão manifestaram-se dispostos a implementar uma "missão neutra" para garantir a segurança do Estreito de Ormuz, durante uma conferência copresidida em Paris pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, na qual participou a Itália.

O objetivo da missão é "acompanhar e proteger os navios mercantes que transitarão pelo Golfo", explicou na ocasião Macron, enquanto Starmer se referiu a uma força "pacífica e defensiva", que só avançará quando o Irão e os Estados Unidos concordarem em levantar os seus respetivos bloqueios, e em concertação com estes dois países.

"Hoje, 40 países pretendem contribuir para tornar o estreito de Ormuz livre e navegável assim que as condições o permitirem. Nada menos do que 24 desses países já manifestaram a sua vontade de, em princípio, participar com meios altamente especializados, úteis, por exemplo, para desminar a zona marítima", indicou hoje Guido Crosetto no parlamento italiano.

Os Estados Unidos e o Irão estão num processo de diálogo mediado pelo Paquistão, embora as divergências entre as suas posições tenham impedido, até ao momento, um segundo encontro em Islamabad, cidade que acolheu a primeira reunião presencial após o acordo de cessar-fogo assinado em 08 de abril, posteriormente prorrogado indefinidamente por Trump.

O bloqueio do Estreito de Ormuz e a recente incursão e apreensão de navios iranianos pelos EUA na região estão entre os motivos alegados por Teerão para não comparecer às negociações em Islamabad, uma vez que considera estas ações uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo.

Apesar disso, ambos os países mantêm contacto através da mediação de Islamabad.

Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão em 28 de fevereiro, levando os iranianos a retaliarem contra países do Golfo que têm interesses norte-americanos, estende a guerra no Médio Oriente.

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