A vida tranquila dos falidos da banca

Bruno Faria Lopes , Raquel Lito 01 de agosto de 2019

Geraram perdas de milhões, na maior parte dos casos nada têm em seu nome, mas nos últimos anos mantiveram uma vida de luxo. So há pouco tempo é que as penhoras começaram a bater à porta.

O perdão recente de 116 milhões de euros por um conjunto de bancos às empresas do milionário João Pereira Coutinho é um do últimos episódio de uma saga que está para durar: a banca continua a limpar a herança que recebeu de anos de má gestão de crédito, exposta pela crise económica a partir de 2009.

Os casos que vão gerando perdas e perdões noticiados semanalmente não são todos iguais, mas em vários há aspetos comuns: nascem de créditos concedidos muitas vezes ao arrepio da racionalidade económica, com garantias insuficientes e mal acompanhadas ao longo do tempo, a devedores bem relacionados e com apoio jurídico que usam para pôr a salvo bens pessoais, deixando os credores e os gestores de insolvência de mãos a abanar. Novo Banco (ex-BES), Caixa Geral de Depósitos e BCP são, entre os maiores bancos, os que mais perdas acumularam com este tipo de grande devedor. Em alguns casos, como a Caixa, o Novo Banco ou a Parvalorem (ex-BPN), as perdas geram prejuízos de forma direta ou indireta para os contribuintes. Em vários casos escolhidos pela SÁBADO, as dívidas deixadas contrastam com o elevado nível de vida dos devedores, revelado nas páginas seguintes. Até ao dia 23 de maio, o Banco de Portugal enviará à Assembleia da República um relatório com informação sobre as exposições dos bancos que resultaram na necessidade de ajudas públicas - haverá informação individualizada por grande devedor, que deverá ver a luz do dia. O tema vai continuar a gerar notícias sobre perdões - e perdas para a banca.


Joe, o devedor excêntrico . Vive numa penthouse de 652 m2 e deve 962 milhões. Em tempos disse que era o portuguese dream – e mantém a palavra.

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