Arte

O tesouro de João Rendeiro

São 124 obras que se mantêm apreendidas há 11 anos. A SÁBADO fez uma avaliação da valiosa coleção de arte particular do antigo banqueiro que fugiu à Justiça.

Quem dá os primeiros passos na casa amarela de 442,12 m2, situada no lote 81 da exclusiva Quinta Patiño, em Cascais, depara-se, de imediato, com um acrílico sobre madeira de Noronha da Costa, artista plástico e pintor. Subindo as escadas, no hall do primeiro andar encontra-se uma obra de Frank Stella, norte-americano, cujo trabalho artístico incide em pintura, objetos e arte gráfica. Ao todo, a casa de João Rendeiro alberga mais de 124 obras de arte contemporânea, cuja permanência na habitação a Polícia Judiciária foi esta semana verificar. Depois dessa verificação soube-se que a PJ desconfia que algumas das obras podem ter sido falsificadas e, por isso, vão ser retiradas da casa de João Rendeiro.

Foi há 11 anos que uma equipa de procuradores da extinta 9ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP) e de inspetores da Polícia Judiciária e da Autoridade Tributária entraram na sumptuosa vivenda do antigo presidente do Banco Privado Português (BPP), apreendendo documentos, computadores e numerário (136 notas de 500 euros). Durante a busca, além da documentação relevante para a investigação, a procuradora Inês Bonina deu ordem de apreensão das inúmeras obras de arte, considerando que alguns dos documentos apreendidos indiciavam que “inúmeras obras de arte expostas na residência” tinham sido adquiridas por João Rendeiro com dinheiro do próprio BPP.

“Tal atuação”, concluiu a magistrada do Ministério Público, “consubstanciará uma utilização abusiva do património do BPP em proveito próprio do arguido e, como tal, constituirá produto da prática de um crime”. Depois de uma seleção de todas as obras de arte na casa de João Rendeiro, a procuradora determinou a sua apreensão, mas ficaram todas na habitação, tendo a mulher do banqueiro, Maria de Matos Rendeiro, sido constituída como fiel depositária, “ficando ciente de que não poderá transportar, alienar, onerar a qualquer título os referidos objetos”, avisou Inês Bonina em despacho, “incorrendo em crimes de desobediência e descaminho”.
 


Depois de notificado para se apresentar em tribunal, o banqueiro fugiu para parte incerta

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