Lili Caneças ou a extraordinária vida de Maria Alice

Lili Caneças ou a extraordinária vida de Maria Alice
Catarina Moura 16 de fevereiro

Filha de um oficial da Marinha, privou na adolescência com as famílias aristocratas exiladas em Portugal. Após o divórcio, chegou a vender pullovers aos amigos para pagar as contas. Foi cortejada por nobres e milionários, parou o País por causa de uma cirurgia estética e continua a ir às festas internacionais mais exclusivas. Agora, aos 76 anos, Lili Caneças mantém-se relevante graças aos contactos e às redes sociais.

Nos anos 1980, Lili Caneças não tinha um tostão, mas vestia-se de Dior dos pés à cabeça. O público das revistas do social começava a conhecê-la. Tinha-se divorciado do marido rico e a filha ficou a seu cargo. Ia às festas para se distrair e vestia-se com as melhores roupas que tinha para trabalhar na imobiliária de luxo do amigo Peter Sieger.

O trabalho era perfeito para ela: sabia conviver com a alta sociedade, falava algumas línguas e, sobretudo, não queria trabalhar só para ganhar uns trocos. Queria fazer dinheiro a sério. Só impôs uma condição: não mostrar casas a clientes. O ex-marido, Álvaro Caneças, era poderoso no ramo imobiliário e ela sentia-se acossada com a ideia de andar a fazer visitas guiadas. Ia buscar os potenciais clientes ao aeroporto numa limusina, levava-os ao Ritz a almoçar, mostrava-lhes prédios e urbanizações, na esperança de ganhar a sua comissão.

Mas não ganhou nada. Os potenciais interessados davam consecutivamente a volta ao assunto e enganavam Lili e Sieger. Despediam-se desinteressados e acabavam por contactar os proprietários para fazer o negócio sem mediações - por vezes até através de offshores, quando tinham sido assinados acordos que os impediam de realizar o negócio sem a imobiliária.

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