A greve geral convocada pela CGTP encontrou adesão em vários setores, da saúde e educação aos transportes. Está marcada para o início do próximo mês.
Convocada pela intersindical CGTP-IN depois de terem sido dadas por terminadas as negociações na Concertação Social (das quais a CGTP ficou à margem), a greve geral de 3 de junho será a 12.ª realizada em Portugal desde 1974. Tem como alvo o pacote laboral que o atual Governo quer ver ser aprovado na Assembleia da República, apesar das críticas do PS, do Chega e também do PCP, Livre, BE e PAN, após a proposta de lei de revisão da lei laboral ter sido aprovada em Conselho de Ministros.
A nova greve geral sucede à greve de dezembro, que juntou CGTP e UGTHugo Monteiro/Correio da Manhã
Uma revisão que tem sido alvo de grande contestação, em particular na última greve geral que aconteceu a 11 de dezembro de 2025, convocada pela UGT e à qual a CGTP se juntou. Desta vez, a UGT não tomou uma posição, mas tudo indica que não se irá juntar à paralisação. A 7 de maio, em declarações à RTP Notícias, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, afirmou que “a agenda da UGT não é a agenda da CGTP”, acreditando que “ainda vai correr muita tinta e, provavelmente, dia 3 não é o momento ideal, mas será mais à frente, quando estivermos próximo de o Parlamento ter de votar a proposta”.
Conheça as organizações que, até ao momento, anunciaram que se vão juntar à greve geral.
Circulação sob pressão
A FECTRANS – Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações anunciou a adesão à greve, destacando no seu comunicado que o pacote laboral do Governo é "um ataque frontal aos direitos, aos salários, ao tempo de trabalho e às condições em que os trabalhadores se organizam e lutam. Em declarações à agência Lusa, o coordenador da Fectrans José Manuel Oliveira, garantiu que "todas as empresas de transportes" foram mobilizadas. Os pré-avisos abrangem os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, da Carris, da Carristur, da Transtejo/Soflusa, da Fertagus, do Metro Mondego, do Metro do Porto, da STCP ou da CP -Comboios de Portugal.
Também o SNPVAC - Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil e o SITAVA - Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos vão aderir à greve contra a reforma laboral. O que pode ter impacto em cerca de 500 voos, prevê o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarróias, à margem da conferência sobre a privatização da TAP. Além da TAP, será afetada a operação de empresas como o grupo SATA, a Ryanair ou a easyJet.
Setor da saúde junta-se ao protesto
Os médicos do setor público, privado e social também aderem à greve geral, anunciou a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que coordena o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, o Sindicato dos Médicos da Zona Centro e o Sindicato dos Médicos do Norte. Em comunicado, Joana Bordalo e Sá, presidente do Sindicato dos Médicos do Norte e vice-presidente da FNAM, explica que o que está em causa numa possível reforma laboral são “jornadas até 50 horas semanais como norma, horários desregulados, bancos de horas impostos, vínculos precários e ataques à parentalidade, à contratação coletiva, ao direito à greve e à ação sindical”.
Na área da saúde, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) junta-se ao protesto e a paralisação de enfermeiros vai realizar-se entre as 00h00 e as 24h00 de 3 de junho, podendo ter efeitos no dia anterior devido ao início do turno da noite, sendo assegurados os serviços mínimos.
Docentes mobilizados para a greve
Durante a manifestação de professores de sábado passado, a 16 de maio, em protesto contra a revisão dos estatutos da carreira, José Feliciano da Costa, um dos secretários-gerais da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), explicou que os professores estavam também mobilizados contra o pacote laboral, que considera "agressivo", anunciando a adesão à greve geral de 3 de junho.
Adesão alarga-se a vários setores
Os serviços municipais também podem ser afetados, na sequência da adesão do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) que representa trabalhadores das autarquias e do setor empresarial autárquico. O sindicato acusa o "Governo PSD-CDS, apoiado pelo Chega e IL", de tornar "muito pior" tudo o "que está mal na legislação laboral, que já é desfavorável aos trabalhadores".
Também o Sindicato dos Trabalhadores em Arquitetura (Sintarq) aderiu à greve geral, considerando que a revisão laboral representa um "grave retrocesso e um ataque direto aos direitos dos trabalhadores", para além de significar mais instabilidade e menos direitos para quem trabalha.
Contra um “pacote laboral do século XIX” está o Sindicato dos Jornalistas (SJ), que apela à adesão à greve por parte de todos os trabalhadores da comunicação social. O SJ considera que os profissionais deste setor estão "na primeira linha de vítimas da reforma laboral", destacando que a proposta "penaliza particularmente as pessoas mais precárias, categoria onde cabem tantos jornalistas".
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