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Humberto Pedrosa e os outros caçadores milionários que financiaram o Chega

Humberto Pedrosa e os outros caçadores milionários que financiaram o Chega
Alexandre R. Malhado 12 de agosto

O ainda acionista da TAP desmente, mas a sua transferência de 5 mil euros está entregue na Entidade das Contas. Não está sozinho, há outros empresários a contribuir. O advogado Francisco da Cruz Martins facilitou almoços com amigos de caça endinheirados para angariar apoios financeiros ao Chega.

Em maio de 2020, um grupo de amigos da caça combinou um almoço diferente. O advogado Francisco da Cruz Martins juntou na sua casa, em Cascais, um conjunto de amigos e conhecidos, todos eles homens de negócio com peso nos mais variados setores da economia nacional, para ouvir André Ventura, deputado e presidente do Chega, e também o seu vice-presidente, Diogo Pacheco de Amorim. Espalhados por duas mesas de jantar, dezenas de empresários ouviram atentamente o novo deputado, entre eles Humberto Pedrosa, dono do grupo Barraqueiro e então administrador e acionista da TAP, e João Maria Bico Bravo, magnata da área da Defesa e dono do grupo Sodarca. Sete meses depois de ser eleito parlamentar pelo Chega, aquele convívio e encontro de networking de Ventura viria a compensar, traduzindo-se em dezenas de milhares de euros de donativos, onde pontuam contributos de Pedrosa e Bravo, mas não só.

À SÁBADO, Pedrosa garante que a informação é “completamente falsa” – “nego veemente que alguma vez ou nalguma circunstância tenha feito qualquer donativo ao Chega” –, mas as faturas que o próprio Chega apresentou na Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), assim como os relatos de quem esteve presente no almoço, mostram o contrário. Segundo a documentação, a que a SÁBADO teve acesso, Humberto Manuel dos Santos Pedrosa fez uma transferência de 5 mil euros ao partido no dia 17 de junho de 2020. Na altura, pertencia à estrutura acionista da TAP através do consórcio Gateway, da qual também fazia parte o norte-americano David Neeleman, e ocupava um lugar na administração da TAP. Com o reforço da posição do Estado na TAP (que passou a ter estatuto de empresa pública), quatro meses depois de dar o donativo ao partido de Ventura, Pedrosa acabaria por renunciar ao cargo na administração, alegando incompatibilidade com as suas outras funções na Barraqueiro. Hoje em dia, ainda detém 22,5% da transportadora aérea.

Nove dias depois do donativo de Pedrosa, foi a vez de João Maria Bravo (ou apenas Bico Bravo, como lhe chamam os amigos). Também de acordo com as faturas entregues pelo Chega à ECFP, fez uma transferência de 5 mil euros ao partido no dia 26 de junho. Empresário de peso na Defesa e Administração Interna, lidera o fornecimento de armas, munições, tecnologia e equipamento militar ao Estado através do grupo Sodarca. Certificado pela NATO, o grupo tem empresas como a Helibravo, que fornece helicópteros ao Estado, e a Sodarca Defense, distribuidora das armas Glock em Portugal, usadas, por exemplo, pela PSP e pelo SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras). À SÁBADO, Bravo recusa fazer qualquer comentário: “Apenas refiro que todos os apoios que prestei ao partido foram dentro da legalidade.”

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