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Infelizmente existe um risco real de que não apenas a Democracia, o Estado de Direito e os direitos humanos poderão vir a desaparecer da face da Terra, como também que o mesmo aconteça com a Vida Humana.
Para não estar sempre a usar a referência a José Mário Branco e ao título da sua canção “Sopram ventos adversos”, socorro-me hoje de Bob Dylan e da sua “A Hard Rain's A-Gonna Fall”.
Até porque, efectivamente, quer a nível nacional quer em termos mundiais, a situação social e política está hoje muito pior do que no tempo em que vivíamos quando apenas sopravam ventos adversos (1980 – ano dos espectáculos no Teatro Aberto que deram origem ao álbum “Ser solid(t)ário” de 1982).
Claro que, em boa verdade, em 1963 - data em que Dylan escreveu aquela sua canção -, a chuva até era suave quando comparada com estes miseráveis tempos em que estamos a viver. Miseráveis e perigosos.
Mas, adiante, porque o que quero significar é que, como, a propósito do Brasil, escreveu Chico Buarque de Holanda em 1976, a coisa aqui tá preta. E vai piorar.
E porque assim é, ou seja, porque infelizmente existe um risco real de que não apenas a Democracia, o Estado de Direito e os direitos humanos poderão vir a desaparecer da face da Terra, como também que o mesmo aconteça com a Vida Humana, é absolutamente indispensável ter ideias muito claras acerca das razões que conduziram a Humanidade, em termos planetários, a esta até há pouco impensável situação de perigo iminente de destruição, e depois agir em conformidade para inverter este lento deslizar para um Inferno Global que constitui o caminho que estamos todos a percorrer.
Que fique claro: não considero, nem afirmo, que a Humanidade está inevitavelmente condenada a esse trágico fim. Mas, isso sim, reitero que, em minha opinião, se nada for feito para inverter o caminho para o qual, a nível mundial, estamos a ser empurrados por egoístas irresponsáveis como Trump, Putin, Netanyahu e muitos outros, essa tragédia irá mesmo ocorrer.
O que é dramático é que as únicas lideranças que poderiam opor-se a esses psicopatas amantes da guerra e da destruição - as europeias, incluindo obviamente a do Reino Unido, e as do Canadá, da Austrália, da Nova Zelândia e do Japão -, mercê da sua abjecta e vergonhosa subserviência em relação aos EUA, têm-se mostrado incapazes de suster esse caminho suicidário.
O que é verdadeiramente espantoso já que é a sua sobrevivência que está em causa.
Como podem ser tão cegos?
Veja-se, por exemplo, o que acontecer com a NATO.
Contra todas as evidências, as lideranças europeias ainda estão à espera que a Administração Trump deixe de desprezar a UE e os europeus em geral.
E, entretanto, os ucranianos que se lixem – e se submetam à rendição à Federação Russa e aos interesses de Putin, como Trump lhes está a impor.
Erro crasso.
Mesmo que Trump desapareça do mapa e mesmo que o seu sucessor não seja JD Vance ou outro republicano MAGA, a população e a classe política dos EUA irão continuar a pensar que região relevante para o seu futuro é a do Pacífico e não a atlântica.
Neste momento não é apenas Putin que constitui um perigo para a segurança europeia.
A bravata de Trump acerca da Gronelândia deve ser tomada muito a sério.
Como já referi numa outra crónica, é absolutamente natural que Trump pense que se a Louisiana foi comprada aos franceses e o Alasca aos russos, por que razão não haverá de ser possível comprar a Gronelândia?
E, uma vez que o México invadido pelos EUA e perdeu nessa guerra, que decorreu entre 1846 e1848, e foi antecedida pela anexação do Texas em 1845, uma parte substancial do seu território, e agora, sob pretexto de uma alegada guerra contra os traficantes de droga, a Administração Trump se prepara para invadir a Venezuela (ou, pelo menos, ameaça fazê-lo), quem nos garante que não tomará medidas do mesmo jaez se nem a Dinamarca nem os Inuítes quiserem vender a Gronelândia?
Recordo que, antes do início da Guerra Mexicano-Americana (interessante escolha de denominação), o governo dos EUA tentou comprar os territórios que depois se tornaram parte desse Estado por via violenta.
Aparentemente, as lideranças europeias (e as do Canadá, da Austrália, da Nova Zelândia e do Japão) desprezam o estudo da História.
Ou será que apenas (mas que grande “apenas”) perderam a vergonha e a decência?
Tendo em conta a repugnante e desprezível postura de alguns desses dirigentes políticos perante os desmandos criminosos e genocidas do governo de Netanyahu, é para mim evidente que sim, que vergonha e decência são conceitos que desapareceram do seu léxico e das suas mentes.
A realpolitik não pode tornar-se o único critério de decisão, porque isso significará o retorno à barbárie do domínio absoluto dos mais fortes, o que, como a História já abundantemente demonstrou, conduz inevitavelmente à guerra, à destruição e ao caos.
Porque forte não é só um e o “apetite” pela conquista de territórios ou de zonas de influência é insaciável.
Foi assim tanto na Primeira como na Segunda das Guerras Mundiais que a Humanidade já sofreu. E o mesmo aconteceu em quase todas as outras guerras, apenas com graus de destruição e morte menores do que nesses dois conflitos generalizados.
Acontece que agora a capacidade de destruição dos beligerantes tornou-se exponencialmente maior e o fim da Vida Humana é uma possibilidade real.
Infelizmente, para alguns daqueles que têm nas suas mãos esse poder destrutivo, a ideia da MAD (em português, Destruição Mútua Assegurada), que manteve uma paz muito significativa durante a Guerra Fria, é uma coisa obsoleta e passadista.
Na sua insana loucura, essa gente pensa que irá sobreviver a uma guerra nuclear.
E que fazem as lideranças europeias perante esta grave situação?
Nada.
Cabe aos cidadãos e cidadãs do planeta reagir. E isso é possível.
E a isso me dedicarei nas próximas crónicas.
Os despojos de Abril. Chuvas intensas vão cair (parte I)
Infelizmente existe um risco real de que não apenas a Democracia, o Estado de Direito e os direitos humanos poderão vir a desaparecer da face da Terra, como também que o mesmo aconteça com a Vida Humana.
António Ramalho Eanes, general e Presidente da República, com a sua assinalável sabedoria e enorme bom-senso, disse que essa é uma data que deve ser assinalada e recordada, mas não comemorada.
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