Siga o nosso canal no WhatsApp e não perca as grandes histórias da SÁBADO. Seguir

Como Lalanda e Castro construiu a teia de influência

Como Lalanda e Castro construiu a teia de influência
Fernando Esteves 12 de janeiro de 2017

Há 30 anos era um delegado ambicioso que seduzia médicos com benesses e viagens. Não descansou enquanto não fez da Octafarma um portento mundial. Pelo caminho montou uma poderosa rede de poder com ramificações políticas e nos hospitais. Esta quinta-feira, foi-lhe decretada prisão domiciliária

Baixinho, gordinho e sorridente, Paulo passeava-se pelos corredores dos hospitais públicos como se estivesse em casa. Ainda não tinha 30 anos. Era um enérgico delegado de informação médica. Os meandros da Saúde não eram novidade para si: estudara Medicina e a mãe fora directora da Farmácia do Hospital de São João, no Porto. Estava muito à vontade com os médicos, em cujos gabinetes entrava e saía com relativa facilidade. A sua figura era simpática, não só por ser familiar, mas sobretudo pelo que significava: na sua pasta, Paulo transportava benesses para os especialistas em hematologia, a área de actuação do seu laboratório, a Octafarma, então um dos mais desconhecidos do mercado e hoje um colosso mundial presente em dezenas de países e uma facturação anual de centenas de milhões de euros. Entre as vantagens que proporcionava contavam-se o patrocínio de viagens a congressos científicos que por vezes de científico tinham pouco ou nada.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Artigos Relacionados
Talvez crónica

Somos feitos da curiosidade que temos

Uma pessoa que se rende à falta de curiosidade nunca vai saber o que está a perder. Deixa-se ficar deitada a apanhar pó por dentro, enquanto a vida lá fora avança em passos largos e fugidios. As respostas ficam cabisbaixas trancadas numa sala, a trocarem olhares entre elas, ansiosas por se virem mostrar como nunca antes as viram.

A Lagartixa e o jacaré

Debates

O papel dos comentários pós-debates ajuda a fixar uma impressão, mesmo quando a composição dos comentadores parece de antemão favorecer um lado ou outro. Parece e é. A maioria dos comentadores é hoje favorável à direita.

Cuidados Intensivos

Hooligans

Nos debates, ganha quem o hooligan quer que ganhe – e isso é válido para o hooligan anónimo, que grita para o televisor “Dá-lhe, Pedro Nuno!”, como para o hooligan em estúdio, que apesar de usar fato e gravata também está de tronco ao léu, agarrado à vedação do estádio, a chamar nomes ao árbitro.