Diretor do Polígrafo apanhado no caso Máfia do Sangue

Diretor do Polígrafo apanhado no caso Máfia do Sangue
Carlos Rodrigues Lima 11 de novembro de 2019

Fernando Esteves foi, enquanto jornalista, sócio de uma empresa que fez a "gestão da crise " para o principal arguido, Paulo Lalanda e Castro


Durante vários anos, o diretor do jornal Polígrafo, Fernando Esteves, acumulou a função de jornalista e editor de política na SÁBADO com uma quota numa empresa que, entre outras matérias, tinha no seu objeto social a "consultoria em comunicação", uma actividade incompatível com a profissão de jornalista. A revelação consta da acusação do Ministério Público no processo "Máfia do Sangue", na qual se adianta ainda que a empresa em causa, a "Alter Ego", chegou a trabalhar para a Octapharma e para Lalanda e Castro, o principal arguido do processo. Fernando Esteves foi jornalista da SÁBADO entre 2005 e abril de 2017.

Com as suspeitas que recaíam sobre Paulo Lalanda e Castro, ex-diretor da Octapharma em Portugal, e o médico Luís Cunha Ribeiro (ambos recentemente acusados pelo Ministério Público por corrupção ativa e passiva) a circularem a grande velocidade nos meios de comunicação social, os dois intervenientes sentiram, em 2015, necessidade de um melhor aconselhamento mediático. Porque, até aí, quem se ocupava da monitorização das notícias era Pedro Coelho dos Santos, quadro do Instituto Nacional de Emergência Médica que trabalhava sob a dependência de Cunha Ribeiro.

Foi então, de acordo com o despacho da procuradora Ana Paula Vitoriano, que Lalanda e Castro propôs a Coelho dos Santos um contrato de assessoria mediática. Na resposta, Coelho dos Santos (que chegou a ser candidato pelo PS à Câmara de Sobral de Monte Agraço), avançou com um orçamento de 850 euros/mês para a assessoria da Octapharma e, por outro lado, a "prestação do serviço através da empresa Alter Ego, Lda.. " a Paulo Castro e empresas do seu universo. "Serviço a prestar: Monitorização mediática (dias úteis e fins-de-semana) das noticias referentes ao "processo Marquês", "vistos gold" e a atividade das empresas do universo pessoal. Aconselhamento mediático de crise, nas suas várias componentes: elaboração de respostas aos media e comunicados de imprensa, sempre que necessário; Análise da documentação disponível no âmbito dos respetivos processos judiciais com vista a antecipar situações de risco mediática, necessidades de ações juntos dos media e Disponibilidade permanente. Valor: 1500 (mil e quinhentos) euros mensais, acrescidos de IVA a taxa legal", escreveu ainda Coelho dos Santos.

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