Declaração nao permite escrutínio total porque casas e terrenos estão nas empresas que tem com os filhos.
António José Seguro, que desde 2014 não apresentava uma declaração de rendimentos, património e interesses (porque desde essa altura que não exerce um cargo público que o obrigue), foi o único candidato que, por sua iniciativa, criou no seu
site uma secção chamada “Transparência”, onde voluntariamente apresentou esses dados. Importa realçar
que os mesmos estão incompletos. E a declaração que apresentou na Entidade para
a Transparência também está.
Isto porque os políticos só têm de declarar património pessoal, e não o
património que pertence às empresas de que são sócios - ficando assim também vedado o escrutínio das alterações nesse património. (Siga aqui tudo sobre a segunda volta das presidenciais)
Marcos Borga/Lusa/EPA
Seguro é um caso evidente disso. O candidato é sócio
maioritário da Amarcor, empresa que “tem casas de Alojamento Local”, segundo
resposta lacónica do candidato, via assessoria. Os dois filhos são os sócios minoritários.
A empresa gere o Casas da Penha, empreendimento turístico em Penamacor, terra
natal de Seguro. Desconhece-se que património imobiliário e financeiro tem esta
empresa – o candidato não respondeu.
A mesma situação com a empresa Mimos da Beira, que tem “terreno
agrícola de 3,5 hectares”, segundo a sua assessoria. É daqui que produz vinho e
azeite. A empresa é detida por Seguro – diretamente por si, e indiretamente
pela outra empresa familiar, a Amarcor. Desconhece-se também o património financeiro
desta empresa e deduz-se que o imobiliário seja apenas o terreno.
Via assessoria, Seguro referiu apenas que "o património afeto à atividade empresarial é propriedade das empresas que desenvolvem as respetivas atividades".
O mesmo não se passa com outros candidatos que exploram alojamentos locais, como João Cotrim Figueiredo, que declara ser proprietario de um “prédio urbano de um só piso destinado a habitação, com 9 divisões” no Redondo, de valor patrimonial a rondar os 128 mil euros. É aqui que tem também um “terreno com várias parcelas num total de 13,695 hectares, sito nas Courelas do Hospital, Redondo”. Ou Gouveia e Melo, que declara também ser proprietário do terreno e casas em Odemira onde explora um AL.
Em 2018, a SÁBADO foi até Penamacor conhecer a nova vida de Seguro, que na altura estava a fazer a sua travessia no deserto em termos políticos e mediáticos.
Seguro indicou no seu site que em 2024,
“o valor de faturação total das empresas de que é sócio (Amarcor, Lda – Mimos
da Beira, Lda – N&A, Lda) foi de €347.255,34, dos quais 88% no âmbito da
sua atividade principal de alojamento local e venda de produtos alimentares”. Esta terceira empresa referida, a N&A, servirá para a
faturação dos serviços de consultoria, conferências, docência e comentário
político.
Quanto aos rendimentos individuais, Seguro declarou €54.647
em 2024, sendo €7.129,66 da Mimos da Beira, €16 660 da Universidade Autónoma, €14 436,94 do ISCSP, €5.518,75 de rendimentos de trabalho independente (comentários na CNN Portugal) e €10.902 de rendimentos prediais.
Quanto ao património individual, referiu não ter qualquer
conta à ordem que tenha saldo superior a 50 salários mínimos, ou seja, não tem
de declarar. A prazo declarou duas contas, uma de €5.095,85 e outra de €5.098,67
Sem passivo e carro, declarou ser proprietário
e coproprietário (com a mulher, com quem está casado por comunhão de adquiridos) de três apartamentos: um em Lisboa (freguesia de
São Domingos de Benfica) e dois nas Caldas da Rainha.
Indicou também três direitos de crédito, no total de €168.314,66. Não é declarado a que se referem.
Num artigo publicado pela SÁBADO em outubro, era recordado o património de Seguro em 2014, data da última declaração (que permite comparar com a que estará agora disponível). Aí declarava como único rendimento os €46.123 de deputado. Tinha €36 mil e duas “carteiras de títulos” com o valor nominal inicial ainda em
escudos (o valor à data era impercetível).
No imobiliário, além da casa própria
em Lisboa (deduz-se que a mesma de agora), declarava propriedades em Penamacor e nas Caldas da Rainha (que terão sido entretantos transferidas para as empresas). Tinha um passivo de €251 mil de dívida hipotecária referente a uma casa das Caldas da Rainha (passivo que já não existirá).
Nota: Título e entrada alterados às 12h45. O título referia o termo "escondido" entre aspas, na medida em que o acesso ao património das empresas do candidato não fica automaticamente disponível ao público em geral, mas, tendo a candidatura voluntariamente fornecido os dados pedidos, poderia induzir em erro. Da mesma forma, na entrada do artigo referia-se que "transferiu" o património para as empresas, sendo que este foi já adquirido pelas próprias empresas.
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