Reportagem

Os escândalos sexuais da Igreja católica

Os escândalos sexuais da Igreja católica
Raquel Lito 24 de novembro

O “padre de ferro” reage às acusações, o colega de Viseu está desaparecido e o condenado por pedofilia recebe visitas dos clérigos na prisão (até já tem emprego à espera). A Conferência Episcopal pressiona por respostas céleres.

Não celebra missas, nem dá aulas de Ética a 160 alunos, nem participa em maratonas. O iron priest ("padre de ferro") está retirado da vida pública religiosa por tempo indeterminado, talvez para sempre. Famoso por conjugar o triatlo com a paróquia e o ensino universitário na Lusíada, em Lisboa, onde também era capelão, Ismael Teixeira diz à SÁBADO que o caminho é do "silêncio". Mas fala, em defesa própria, sobre o escândalo sexual com a secretária da igreja onde era pároco, em São Mamede, no Príncipe Real, em Lisboa. "Sou vítima de difamação. Penso continuar no sacerdócio – há padres sem paróquia –, não fazer mal a quem me faz mal, perdoar os inimigos."

Refere-se à entrevista que a funcionária, de baixa médica desde o início de 2021, deu à TVI, no fim de junho passado, dizendo ter sido alvo de assédios e ameaças por parte do sacerdote: "Ofereceu-me um vestido. Começou por aí... Ele tem um discurso que a dimensão sexual tem de ser vivida de uma forma plena, que não nos podemos privar de vivenciar tudo isto e tenta convencer as mulheres a viver relações sexuais com ele."

Abusos sexuais na Igreja
O suspeito, de 47 anos, e ordenado em 2001, reforça: "O que a senhora diz é uma profunda mentira, que faça provas disso. Arranjei-lhe uma casa, empréstimos de 4.500 euros para mentiras que ela arranjava." Também desmente o suposto envolvimento com duas paroquianas, cujos divórcios teriam sido provocados, em parte, por ele; e o affair com uma aluna da Lusíada a quem dava boas notas. "Desminto. Tinha fama na universidade de dar 17 a rapazes e raparigas."

Suspenso pelo Patriarcado de Lisboa 

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