O papel dos boletins foi oferta da Suécia, o esforço de organização das eleições foi dos militares e 92% dos recenseados votaram. A par do entusiasmo com a novidade - "ninguém dormiu na campanha", conta Marcelo Rebelo de Sousa - houve violência e alguns milhares de pessoas não puderam votar por causa do seu papel na ditadura. As eleições para a Assembleia Constituinte, um marco da transição, deram o primeiro triunfo aos moderados.
Marcelo Rebelo de Sousa, com 26 anos, votou de manhã cedo no dia 25 de abril de 1975. Os seus receios de que poderia haver violência nas primeiras eleições livres em Portugal foram-se esfumando à medida que viu crescer as filas. “As pessoas tinham medo que votassem por elas: os velhinhos arrastavam-se, as freiras saíram dos conventos, os presos votaram”, descreve Marcelo, para quem o voto também foi uma estreia. A sua alegria só foi mitigada mais tarde pela vitória, com 11 pontos de vantagem sobre o PPD, do PS de Mário Soares. Não houve sondagens e o jovem dirigente da distrital de Lisboa dos laranjas fiou-se no que via nos comícios. “Fazíamos comícios todos os dias em grandes pavilhões na área de Lisboa e estavam sempre cheios”, explica. “Só depois percebi que eram os mesmos que todos os dias corriam pelo círculo eleitoral de Lisboa na campanha”, conta com um misto de humor e de amargura antiga.
As primeiras eleições livres foram há 50 anos e (quase) todos votaram
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