Sábado – Pense por si

Germano Almeida
Germano Almeida

Claro que Putin está a perder

O falhanço russo na Ucrânia é tão óbvio que é preciso tirar o chapéu à capacidade de Putin pôr tanta gente na Europa a acreditar no contrário. Tudo se decidirá na Ucrânia e ainda não estamos a perceber isso verdadeiramente. Já Trump tem tido um segundo mandato num triplo fracasso: desastre política, disparate económico, erro moral.

A oportunidade democrata

As intercalares devem pôr a nu a impopularidade recorde de Trump: apenas 32% dos americanos aprova a sua presidência, valor mais baixo desde que há registos diários do desempenho dos Presidentes dos EUA. Os democratas vão ganhar a Câmara dos Representantes por larga margem (estão 12 pontos à frente e basta vencerem o voto popular por uns 3 ou 4). A grande dúvida reside no controlo do Senado. É preciso uma derrocada republicana em estados onde Trump ganhou por muito. Mas é mesmo isso que as sondagens revelam.

Sete contagens decrescentes

Caímos na era dos múltiplos riscos. Têm origens diferentes, mas entrecruzam-se e, ocorrendo no mesmo momento histórico, provocam efeitos cumulativos. Para lá da vulnerabilidade política (desastre Trump, incerteza europeia) e da ameaça bélica (passada russa a Leste, instabilidade no Médio Oriente), há também a emergência climática (verão mais quente e mortífero de sempre na Europa) e a vertigem tecnológica (alertas sobre possível "desalinhamento" na IA).

Os avisos de Bill Gates

Os alertas de Bill Gates sobre o que pode estar para vir na IA é simplesmente assustador. Não se vê nos atuais líderes políticos um discurso à altura para endereçar o que podemos, ainda, fazer para evitar o pior. Com Trump na Casa Branca, nem sequer sabemos se o atual Presidente dos EUA está mais próximo de Putin ou dos seus aliados. Proteger a Ucrânia não passa por Donald. Com ele é mais desfazer alianças e insultar o Canadá.

O ICE é a prova que os EUA perderam a face

O ICE é a face dos anos negros do Trumpismo. Que grau de mudança haverá nas intercalares de novembro? Disso dependerá o registo dos últimos dois anos da Presidência Trump. Enquanto isso, é da Igreja Católica que vem o esteio moral dos conservadores. Do Afeganistão, cinco anos depois da tomada de Cabul pelos "talibã", a tragédia das mulheres e meninas afegãs também tem a nossa responsabilidade.

Karnal vs Claude

Devemos ter medo da IA ou apenas ficar fascinado com o que aí vem? Claro que a resposta abrange as duas vertentes e muitas mais. Aprendamos, entretanto, com os alertas e as indignações de Julia Ioffe sobre Putin e sobretudo sobre Trump. Nunca normalizemos o atual Presidente dos EUA. Porque não, isto não é mesmo inevitável.

O trágico paradoxo ucraniano

A Ucrânia resiste e colocou novos problemas à Rússia. Mas isso está a levar a uma contradição: Putin, cheirando a vulnerabilidade de Kiev pela falta de intercetores, tenta disfarçar os seus próprios erros escalando nos crimes contra a população ucraniana. No Médio Oriente, a trilateral Arábia Saudita-Turquia-Paquistão gera uma nova equação de segurança regional: sem os EUA e com sinais claros a Teerão, Telavive e, atenção, também a Nova Deli.

O homem mais rico diz que o dinheiro vai deixar de contar

O dinheiro "vai deixar de contar", antecipa o homem mais rico do mundo. Se Elon Musk o diz, não devemos ignorar. Mas calma: ele perdeu metade do que valia em apenas mês e meio. Não é infalível. É bem mais falível do que muitos fantasiam. Já Zelensky, apesar da falha na crise Fedorov, dá mostras de ser mesmo o último grande líder do nosso tempo. E Trump? Tenham juízo

Burnham pode ser a última esperança

Burnham está a fazer tudo para recuperar a sangria trabalhista para a extrema-direita. Talvez seja a última oportunidade para evitar a tomada de poder do Reform UK... a menos que Farage seja destronado pelo "Conde Caixote do Lixo". Na Ucrânia, o povo, mesmo em tempo de guerra, continua ser quem mais ordena

Fedorov e o dilema ucraniano

A "guerra assimétrica" com que a Ucrânia mudou a equação da agressão russa tinha em Fedorov uma das principais cabeças. A inovação tecnológica foi fundamental, mas Sirsky representa o lado mais pragmático e rígido de encarar o sacrifício militar. A queda do jovem ministro da Defesa mostrou que Zelensky percebe que uma guerra, mesmo com estes dados novos, continua ser uma guerra feita por militares. A Ucrânia já mostrou que consegue resistir a tudo. Resistirá, pois, a mais esta crise traumática.

Trump é mais Balogun que pró-Ucrânia

Donald Trump bateu ainda mais fundo e gabou-se de fazer batota para despenalizar Balogun. Os belgas responderam em campo e golearam a seleção dos EUA, que até estava a fazer um bom Mundial. Era preciso o Presidente dos EUA fazer estas figuras? O problema é que ainda há quem goste. De Ancara sobrevieram o apelo e o exemplo de Zelensky. Mas o tempo passa e passa e passa... 

Donald Trump perdeu a narrativa

Donald Trump perdeu a narrativa. O Irão foi um desastre, o Supremo já lhe tinha travado as tarifas e agora travou-lhe o ataque aos filhos de imigrantes nascidos nos EUA, a inflação que não para de subir. Claro que há sempre aqueles 30 e poucos por cento que abdicaram de pensar pela própria cabeça, mas a sangria nos independentes, nos jovens, nos latinos e nos negros é evidente. Tivessem votado com mais consciência: os sinais estavam todos lá.

A inovação está a salvar a Ucrânia

Os ucranianos estão a resistir "against all odds". Mas estão a fazer muito mais do que isso. A inovação tecnológica está a travar a invasão russa e a colocar problemas insolúveis para Putin. E agora, que o "o futuro já chegou", devíamos voltar a Joe Biden, o tal "Presidente do passado", que estava, afinal, incrivelmente certo na mensagem de despedida, há um ano e meio

Uma República sob ameaça

O “país excecional e indispensável” chega aos 250 anos com um Presidente que promoveu um ataque ao Capitólio. Não, não é um detalhe passageiro. Provavelmente, acabará mal.

Trump preso ao regime iraniano

Teerão é um vencedor parcial. Consegue amarrar um suposto sucesso de Trump à sobrevivência do regime criminoso iraniano (oh, suprema ironia) e passou a saber que tem um instrumento de negociação e eventual coação muito mais efetivo do que o longínquo e custoso objetivo de chegar às armas nucleares ou comprá-las: o controlo de Ormuz, claro.

O uso abusivo da palavra do Presidente

Incrível como Trump anda há dois meses a repetir as mesmas promessas vãs e isso continua a ter efeito comunicacional e político. Se continua a ser remunerador é porque conseguiu institucionalizar a mentira como instrumento da palavra do Presidente dos EUA. Um novo paradigma que não pode ser encarado com normalidade.

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