Cartão Vermelho

“Parece que ninguém sabe de onde vieram os dinheiros”, diz o juiz Carlos Alexandre

Durante dois dias de interrogatórios, MP admitiu erros, o filho do presidente do Benfica teve lapsos de memória e a defesa de Luís Filipe Vieira apenas vislumbrou um crime. Juiz diz que este tipo de crimes é feito com “discrição e elegância”, mas prejudicam toda a população.


Houve um pouco de tudo na meia maratona de interrogatórios judiciais da operação "Cartão Vermelho", que começou na sexta-feira e terminou no sábado com a aplicação das medidas de coação aos quatro arguidos detidos: conversas de corredor, desabafos, confusão com nomes de offshores e respetivos, lapsos de memória e até perplexidade com a descrição dos crimes imputados. 

Tal como foi revelado à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, o juiz Carlos Alexandre espalhou a sua decisão em aplicar as medidas de coação num despacho de 299 páginas, a que a SÁBADO teve acesso. No documento, o magistrado deixou claro que, apesar de considerar existirem fortes indícios da prática dos crimes imputados, também disse que, em alguns casos, há uma "necessidade de o Ministério Público (MP) densificar" suspeitas. 

E esta necessidade começou logo com a relação entre Luís Filipe Vieira (a quem foi aplicada uma caução de 3 milhões de euros) e o advogado/agente de jogadores Bruno Macedo. Segundo o MP, ambos os arguidos traçaram um plano para, através da compra e venda de jogadores, fazer circular dinheiro do Benfica para a esfera empresarial de Luís Filipe Vieira, através da compra de imóveis - feita por Bruno Macedo - a empresas do presidente do Benfica.

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