Os encontros secretos e as comissões na venda das acções do Benfica

Os encontros secretos e as comissões na venda das acções do Benfica
Carlos Rodrigues Lima 07 de janeiro

As escutas da Operação Cartão Vermelho revelam os jogos de bastidores na operação de venda de 25% do capital da SAD. Carlos Janela preparava-se para ganhar 3,5 milhões de euros e um funcionário do SAD sonhava com o cargo de administrador.

Ninguém no Benfica podia saber do negócio. Foi isto mesmo que Carlos Janela transmitiu a Hugo Ribeiro, funcionário do departamento internacional da SAD, durante uma conversa gravada pela investigação do processo "Cartão Vermelho", a 7 de junho de 2021, um mês antes das detenções de Luís Filipe Vieira, Tiago Vieira, José António Santos e Bruno Macedo. O Ministério Público suspeita que Luís Filipe Vieira e o "Rei dos Frangos" montaram esta operação de forma a compensar o dono do grupo Avibom pelos milhões que investiu em negócios e na compra de dívidas do ex-presidente do Benfica.

Os resumos das escutas telefónicas do processo "Cartão Vermelho" permitem fazer uma reconstituição dos bastidores das negociações, dos envolvidos e como pretenderiam receber o dinheiro das comissões. A ideia da venda de 25% do capital da SAD do Benfica terá surgido, segundo o inspetor tributário Paulo Silva, que investiga as suspeitas de fraude no futebol, "durante o primeiro trimestre de 2021". Um dos primeiros investidores a aparecer seria representado por um norte americano chamado Chip Sloan.

Desde logo, os contactos ficaram a cargo de Carlos Janela, um empresário ligado ao futebol, que tinha uma avença com o departamento de comunicação do Benfica, a qual chegou a passar pela elaboração de uma "cartilha" para os diversos comentadores afetos ao clube espalhados pelos canais de televisão

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