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As reações à nomeação de Luís Neves como MAI (e o silêncio do PSD)

Os elogios ao trabalho enquanto diretor da PJ são quase unânimes, mas há críticas e advertências e até silêncios, incluindo dos partidos do Governo.

Luís Neves, até agora diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), , substituindo Maria Lúcia Amaral. Neves é considerado por todos os que comentaram a decisão como uma pessoa capaz, incluindo na oposição, mas há também quem tenha reticências. 

Luís Neves nomeado MAI: reações, elogios ao trabalho e advertências
Luís Neves nomeado MAI: reações, elogios ao trabalho e advertências Pedro Catarino/Medialivre

O Presidente da República aceitou a proposta do primeiro-ministro de nomear Luís Neves para as funções de ministro da Administração Interna, , que se demitiu depois da onda de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin que assolou o país no final de janeiro. Luís Neves toma posse na próxima segunda-feira às 10h00 no Palácio de Belém, em Lisboa. As reações acumulam-se, com partidos e organizações a comentarem.

Mas o partido que dá apoio ao Governo mantém silêncio sobre a nomeação do homem que, enquanto foi líder da PJ, esteve contra declarações do atual executivo sobre segurança, bem como de vários deputados do PSD. O CDS, outro dos partidos de Governo, também se manteve em silêncio.

Reação da oposição

Uma das primeiras reações políticas foi a do Partido Socialista. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse mesmo que Neves será "uma personalidade forte" num "Governo frágil". "Tenho a melhor das impressões do doutor Luís Neves. Um excelente profissional a quem quero desejar as maiores felicidades. É uma personalidade forte num Governo, apesar de tudo, frágil. Espero que ele seja bem sucedido no ministério, que é um dos ministérios mais importantes das funções de soberania", disse José Luís Carneiro.

Atirou ainda uma farpa ao atual executivo. Questionado sobre as posições de Neves quanto à separação dos fenómenos da insegurança e imigração, o antigo MAI sublinhou que "pode ser que o senhor ministro da Presidência [António Leitão Amaro] possa aprender qualquer coisa com o senhor doutor Luís Neves".

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O Livre disse, via deputada Patrícia Gonçalves, que o novo MAI "tem uma tarefa difícil pela frente", mas é "uma escolha positiva". A deputada do Livre referiu que em áreas como a emigração e a luta contra o racismo Luís Neves tem expressado opiniões numa "linha diferente do Governo".

A presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, afirmou nas redes sociais que "a nomeação de Luís Neves para ministro da Administração Interna ocorre num momento exigente para Portugal". "O país precisa de reformas concretas, melhor coordenação, planeamento eficaz e capacidade real de resposta. É tempo de executar o que tem ficado por fazer, o país não aguenta continuar a viver de anúncios sem consequência", sustentou.

Já o Chega prometeu escrutínio político "implacável" ao novo ministro da Administração Interna e que irá chamá-lo em breve ao parlamento. E pediu a Neves que altere o paradigma "cor-de-rosa" que defendeu sobre a criminalidade em Portugal. Estas posições foram transmitidas pelo antigo ministro Rui Gomes da Silva, na qualidade de membro do "Governo sombra" do Chega, em conferência de imprensa, na sede nacional deste partido.

PSP e GNR apreensivos. Bombeiros elogiam

O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia considerou hoje atípica e imprevisível a escolha de Luís Neves e defendeu que o cargo devia ser ocupado por alguém com mais força política e visão abrangente. "A nomeação é completamente atípica, não me recordo de ver um diretor de uma polícia ser nomeado para forças governativas", disse à Lusa o presidente do SNOP, Bruno Pereira.

O presidente do SNOP reconheceu que Neves tem "uma experiência muito grande no sistema de segurança interna", mas recorda ainda que o MAI é um ministério particularmente exigente e que é conhecido até como um "verdadeiro triturador de ministros".

A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) e apelou para uma mudança de paradigma. O presidente da APG/GNR, César Nogueira, começou por dizer que ficaram "surpresos pela nomeação" do diretor da Polícia Judiciária para o cargo, em que poderá enfrentar desafios.

"Conhecemos bem o Dr. Luís Neves pelas suas funções na Polícia Judiciária, mas [a sua nomeação] poderá trazer alguma animosidade no seio das duas maiores forças de segurança" devido à questão do subsídio de risco, que é superior para os inspetores da PJ, o que motivou protestos da PSP e GNR, que exigiram ao Governo negociações para um tratamento igualitário.

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), através do seu presidente, António Nunes, : "A Liga espera que o novo ministro tenha uma maior facilidade em inteirar-se dos problemas específicos que afetam o setor dos bombeiros e possa ajudar a resolver algumas das reivindicações que já vêm de algum tempo a esta parte, designadamente a questão do comando nacional de bombeiros e as carreiras dos bombeiros com contrato de trabalho nas associações humanitárias", disse.

O perfil de Luís Neves

Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária desde 2018, licenciado em Direito, ingressou na PJ em 1995, após uma breve passagem pela advocacia.

Na PJ, Luís Neves esteve sempre ligado à investigação criminal, em particular na esfera do crime violento e organizado, terrorismo e todas as formas de extremismo violento, rapto, sequestro, tomada de reféns, assalto à mão armada, tráfico de armas, tráfico de seres humanos, crimes cometidos com recurso a engenhos explosivos e crimes contra órgãos de soberania.

Antes, foi diretor da Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT) e da extinta Direção Central de Combate ao Banditismo (DCCB).

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