Presidente da associação disse ter ficado "surpreso" com a nomeação do Diretor da PJ para o cargo de ministro.
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) manifestou este sábado surpresa com a nomeação de Luís Neves como ministro da Administração Interna e apelou para uma mudança de paradigma, reclamando alterações estruturais no programa do Governo.
Luís Neves com Luís MontenegroFilipe Amorim/LUSA
Em declarações à Lusa, o presidente da APG/GNR, César Nogueira, começou por dizer que ficaram "surpresos pela nomeação" do diretor da Polícia Judiciária para o cargo, em que poderá enfrentar desafios.
"Conhecemos bem o Dr. Luís Neves pelas suas funções na Polícia Judiciária, mas [a sua nomeação] poderá trazer alguma animosidade no seio das duas maiores forças de segurança" devido à questão do subsídio de risco, que é superior para os inspetores da PJ, o que motivou protestos da PSP e GNR, que exigiram ao Governo negociações para um tratamento igualitário.
César Nogueira indicou que não se trata de uma crítica pessoal a Luís Neves, mas de um sentimento que existe entre alguns profissionais, apesar de não lhes ser atribuída responsabilidade pela situação criada.
O presidente da maior associação de militares da GNR disse esperar que Luís Neves "mude o paradigma da anterior ministra" Maria Lúcia Amaral, que "além de estar mal preparada, estava a seguir a bitola do programa do Governo".
Para César Nogueira, a alteração do programa do Governo é urgente, avisando que se não mudar nada, os militares avançam com ações de protesto.
"Sabemos que o Dr. Luís Neves é aguerrido e gosta de fazer as coisas com competência", afirmou, esperando que o novo ministro seja capaz de fazer as alterações "nesta pasta exigente", nomeadamente do estatuto remuneratório.
"É uma questão estrutural, se não o fizer, vai apanhar profissionais muito desmotivados e, por isso, esperemos que venha, de facto, para alterar essa situação", insistiu César Nogueira.
Manifestou ainda a disponibilidade da APG para trabalhar em conjunto e atingirem os objetivos. "Caso contrário, independentemente da pessoa, faremos valer as nossas ações de protesto, que não queremos fazer, mas se a tivermos de fazer, vamos fazer", alertou.
O Presidente da República aceitou a proposta do primeiro-ministro de nomeação de Luís Neves como ministro da Administração Interna, decorrendo a posse na próxima segunda feira, no Palácio de Belém.
Nomeação de Luís Neves para MAI pode "trazer animosidade", diz Associação dos Profissionais da Guarda
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