Luís Vargas, autor da página "Volksvargas", recebeu €75 mil na câmara de Lisboa liderada por Fernando Medina. É parceiro de Vasco Mendonça, também ligado ao PS, que fez campanhas para António Costa
Luís Vargas, designer processado pelo primeiro ministro devido a uma publicação satírica na sua conta nas redes sociais sob o pseudónimo @volksvargas, já teve contratos, a título individual, com uma câmara municipal gerida pelo partido em que já assumiu votar sempre, o PS.
Luís Vargas, designer processado pelo primeiro-ministro, teve contratos com o PS e a câmara de Lisboa
Trata-se de dois contratos com a câmara de Lisboa em 2020 e 2021, quando era liderada por Fernando Medina, que nesse ano de 2021 viria a perder as eleições para Carlos Moedas - que por sua vez tem sido um dos alvos da conta @volksvargas nas várias redes sociais onde está presente (tal como todos os políticos de direita). As duas prestações de serviços foram atribuídas após um procedimento de Consulta Prévia, mas no portal Base dos contratos públicos não consta quem foram as outras entidades consultadas pela câmara.
Luís Vargas foi inicialmente contratado, a 7 de maio de 2020, por €45.000 para "aquisição de serviços de programação e desenvolvimento de microsites e criação de software, web design e conteúdos audiovisuais para o site "Lisboa.pt" e extranet Lisboa". O contrato teve duração de um ano.
A 31 de maio de 2021, o designer foi contratado por €30.000 para "aquisição de serviços de consultoria informática, conceptualização, programação e desenvolvimento de extranet da CML e páginas de serviços do Website lisboa.pt". Este contrato durou até final do ano de 2021.
Desde 2013 pelo menos, ou seja desde os tempos da troika e do governo de Passos Coelho, que a conta @volksvargas visa políticos de direita. Em 2015, foi entrevista pelo Diário de Notícias precisamente devido à visibilidade que já estava a ter. Assumiu, segundo o artigo, "ter votado sempre no PS" e até se proclamava “socrático”: “Distingo entre a atividade governativa e questões do foro pessoal, e do governante tenho uma opinião muito positiva”.
Na altura, Luís Vargas tinha uma parceria com Vasco Mendonça, outro autor de uma conta satírica nas redes sociais ("Um Azar do Kralj"), que na altura fazia comunicação e marketing de algumas campanhas do PS (o artigo do DN fala em Almada), o que viria a continuar (esteve por exemplo envolvido nas campanhas de António Costa, como se lê neste artigo do Expresso). A SÁBADO já tinha escrito neste artigo, que Vasco Mendonça também era contratado pela câmara de Fernando Medina desde 2019.
Luís Vargas foi ontem processado pelo primeiro-ministro devido a uma publicação nas redes sociais onde "@volksvargas" simula um SMS enviado por Montenegro a Trump, numa paródia à divulgação pública que o presidente americano fez há dias de mensagens privadas enviadas por líderes mundiais, nomedamente Macron. O falso "leak" faz ainda alusão à polémica da Gronelândia, extrapolando para o caso dos Açores.
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