A junta do Areeiro anda a fazer amigos entre os animais

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Margarida Davim 06 de fevereiro
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Os bichos do Areeiro têm, no presidente da Junta, um amigo. E não, o autarca não é do PAN.

Na Junta do Areeiro, em Lisboa, há casinhas para gatos de rua, um pombal contracetivo, programas de apoio alimentar animal e até quem vá passear o cão por aqueles que não podem sair de casa.

Fernando Bramcamp já vai no quarto mandato, mas só neste criou o pelouro do bem-estar animal. "Antes já fazia umas coisas, mas nada tão estruturado". Agora, conta com "12 voluntários" que põem em prática os projetos da Junta de Freguesia do Areeiro, em Lisboa. Foi eleito pelo PSD e brinca com quem estranha tanto amor à causa animal. "Gostar de animais é uma coisa, ser do PAN é outra".
 

Workshop sobre como andar à trela
"Nas casinhas para gatos de rua são voluntários que os alimentam, lhes dão água, os levam ao veterinário". Ao todo, a freguesia gastou cerca de 400 euros para criar abrigos em locais onde os felinos já andavam. "Temos de criar os núcleos no sítio onde estão habituados a estar", justifica o autarca, contando que "ao princípio as pessoas estranharam" a iniciativa. "Mas agora levam lá os miúdos para ver os animais". E há uma vantagem que salta à vista: a higiene aumentou muito, porque os animais deixaram de "andar aos caixotes".

A alimentação é quase toda fornecida por voluntários ou recolhida em ações à porta dos supermercados, "como as do Banco Alimentar". Alguns desses alimentos vão nas cestas de apoio que a Junta dá "a pessoas referenciadas" como tendo carências e que têm animais ou a quem vá lá pedir esta ajuda.

É também a pedido que os voluntários inscritos na Junta vão passear os cães de quem não pode sair de casa. "Não é muito frequente, mas já tem acontecido".

O investimento nestas ações de bem-estar animal, garante o presidente da Junta, é baixo. O pombal contracetivo "custou à volta de mil euros" e é mantido por uma voluntária, que alimenta os pombos e substitui os ovos por réplicas em plástico para controlar a natalidade.

"Temos um corpo de voluntários muito bom, muito dedicado. São pessoas que gostam mesmo de animais", conta Fernando Bramcamp, que em 2019 chegou a fazer o "Dia do Cão", com workshops sobre "como andar à trela" e até assinou acordos com veterinários para os residentes do Areeiro beneficiarem de "preços muito mais baixos".

Nem sempre as ações são bem compreendidas. "Fui muito criticado por fazer parque canino ao pé da igreja de São João de Deus, na Praça de Londres", conta, explicando que assim evita que "os cães andem em cima da relva" e que não vai desistir de investir no bem-estar dos fregueses de quatro patas.

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