A caríssima assessora do PCP que Margarida Martins tinha ao seu lado

A caríssima assessora do PCP que Margarida Martins tinha ao seu lado
Marco Alves 23 de outubro

Ex-vereadora na CML ganhou 281 mil euros em avenças em Arroios desde 2016. Na véspera das Autárquicas, foi aumentada para €3.430/mês. Direito de Resposta pessoal da autarca nasceu no seu computador, mas Lúcia Gomes nega autoria.

Lúcia Gomes, ex-deputada da CDU na Assembleia Municipal de Lisboa, não gostou das perguntas da SÁBADO sobre a sua avença de €3.430 na junta de Arroios. Numa mensagem aos seus seguidores no Instagram e Twitter, além de ter divulgado o email do jornalista para quem quisesse perguntar-lhe “o que o motiva”, deu ela própria uma explicação, deslocando o assunto para um contexto político-racial: “Porquê este interesse? Foi porque o acórdão de Bruno Candé condenou pela agravante de ódio racial? É porque há polícias condenados por violência? É porque sou comunista?”

Mas o assunto dizia apenas respeito aos €281.360 em ajustes diretos que teve desde 2016 com a junta de Margarida Martins, que lhe permitia, em termos líquidos, ter um vencimento semelhante ao da presidente da junta (cujo vencimento ronda os €2.600). Uma das perguntas da SÁBADO era sobre o valor elevado desta prestação de serviços na junta. “Pode comparar o meu vencimento com os dos assessores dos vereadores da Câmara Municipal de Lisboa e atestar o meu trabalho junto de qualquer pessoa na Junta de Freguesia de Arroios. Não entendo o seu tom acusatório e a partir do princípio que tinha ‘privilégios’, ou que o meu trabalho não tem o valor que me era pago. Trabalhei fins de semana, feriados, noites, estive sempre disponível para os trabalhadores da junta, tenho muitíssimo orgulho no trabalho que fiz”, respondeu.

Acrescenta que "
sendo advogada e estando a prestar serviços de forma não exclusiva à Junta de Freguesia, mantenho regular atividade forense junto de vários clientes (muitos dos quais, seus colegas de profissão), incluindo o patrocínio de numerosos casos pro bono no quadro da minha intensa participação cívica e social. São, aliás, casos marcantes na jurisprudência nacional."

Lúcia Coelho foi contratada a 1 de janeiro de 2016 pela junta presidida por Margarida Martins e tornou-se rapidamente um dos seus braços-direitos, segundo fontes da junta ouvidas pela SÁBADO. A primeira prestação de serviços, por ajuste direto, para “aquisição de serviços jurídicos” era de €54 mil para 36 meses, de que resultavam €1.500/mês.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais