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Quem é Barry Pollack, advogado de Nicolás Maduro?

Gabriela Ângelo
Gabriela Ângelo 06 de janeiro de 2026 às 12:59
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Na primeira apresentação enquanto representante de Maduro, Pollack questionou a legalidade do sequestro pelas forças norte-americanas e argumentou que o líder venezuelano tem direito à imunidade enquanto chefe de um Estado soberano.

À entrada do tribunal, Nicolás Maduro, o presidente venezuelano capturado pelas autoridades norte-americanas, estava acompanhado de Barry Pollack, um advogado conceituado que representou Julian Assange, fundador do WikiLeaks, no caso em que este era acusado de divulgar ilegalmente informações relacionadas à defesa interna dos EUA. 

Barry Pollack, advogado de Nicolás Maduro
Barry Pollack, advogado de Nicolás Maduro AP

O advogado de 61 anos é sócio da , um escritório de advogados com sede em Wall Street, em Nova Iorque, a poucos minutos a pé do tribunal federal onde o presidente da Venezuela se declarou inocente. Maduro foi acusado esta segunda-feira de conspiração relacionado com narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína para os EUA e posse de metralhadoras e dispositivos de destruição.

Na primeira apresentação enquanto , Pollack questionou a legalidade do sequestro de Maduro pelas forças norte-americanas e argumentou que o venezuelano tem direito à imunidade enquanto chefe de Estado de um país soberano. 

Numa entrevista em abril do ano passado com o , um meio de comunicação jurídico, Pollack partilhou que em quase todos os casos que já teve, desenvolveu uma relação com o cliente. “No final de contas, passa a ser mais do que um estranho que estou a ver a superar essa fase terrível da sua vida, é alguém que passei a conhecer e a respeitar”, aponta. 

Refletiu ainda sobre os seus pontos fortes enquanto advogado e os seus métodos de defesa de um cliente, que poderá usar com Maduro. “Tenho a capacidade de comunicar bem com o júri”, explica, “de certa forma estou a ser um tradutor, estou a pegar numa grande quantidade de informações técnicas e a comunicá-las de uma forma que seja compreensível”. “Sou capaz de falar com um júri e explicar as provas de uma forma que faça sentido para eles, que lhes mostre que a forma como o governo encara os factos não é a única forma de os encarar e pode nem ser a melhor forma”, diz. 

Esta que Pollack, que está há cerca de 35 anos a defender clientes acusados de crimes financeiros, se depara com o tipo de visibilidade que vem com a defesa do líder da Venezuela ou de um ativista digital acusado de expor segredos de segurança interna. Após o colapso da Enron, uma empresa de energia norte-americana, na sequência daquilo que FBI descreveu como a investigação de crimes fraudulentos mais complexa da sua história, Pollack representou o antigo contabilista da gigante, Michael Krautz. Embora 22 pessoas tenham sido condenadas, Krautz foi absolvido. 

Em 2007 libertou Martin Tankleff, um homem que cumpriu uma pena de prisão de 17 anos apesar de ter sido condenado injustamente pela morte dos seus pais. 

Em 2024 Pollack negociou um acordo com o Departamento de Justiça norte-americano que permitiu que Julian Assange fosse libertado da prisão no Reino Unido, colocando um fim a uma saga jurídica que durou cerca de 15 anos. Durante este tempo Assange passou cinco anos numa prisão em Londres e sete anos como fugitivo, tendo-se refugiado das autoridades britânicas e norte-americanas na embaixada do Equador no Reino Unido. No acordo, Assange declarou-se culpado de violar a lei de espionagem dos EUA ao conspirar para obter e divulgar documentos confidenciais de defesa nacional. 

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