Declarações surgiram depois de uma declaração conjunta de cinco países europeus ter revelado que o opositor russo morreu devido ao veneno de uma rã-flecha.
A mãe do opositor russo Alexei Navalny disse que sempre soube que o filho havia sido assassinado pelos russos. As declarações de Lyudmila Navalnaya surgiram depois de no sábado cinco países europeus terem divulgado uma declaração onde afirmavam que Navalny morreu de epibatidina - um veneno proveniente da rã-flecha.
Mãe de Alexei Navalny visita o túmulo do filhoFoto AP/Alexander Zemlianichenko
"Isso confirma o que sabíamos desde o início. Sabíamos que o nosso filho não morreu simplesmente na prisão, ele foi assassinado", disse a mãe do opositor russo ao visitar esta segunda-feira o túmulo do seu filho em Moscovo citada pela CBS News. "Acho que vai levar algum tempo, mas vamos descobrir quem fez isto. É claro que queremos que isso aconteça no nosso país e queremos que a justiça prevaleça."
Alexei Navalny morreu em 2024, com 47 anos, numa colónia penal na Sibéria - onde cumpria uma pena de 19 anos por "extremismo". Na altura, os serviços prisionais russos disseram que o opositor se "sentiu mal" após uma caminhada e apontaram que a morte se deu devido a causas naturais. Sabe-se agora, contudo, segundo o Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Países Baixos, que o opositor terá sido envenenado.
Segundo a declaração conjunta do Reino Unido com os países aliados, "somente o Estado russo tinha meios, o motivo e a oportunidade de usar essa toxina letal". A Rússia rejeitou, contudo, essas acusações. "É claro que não aceitamos tais acusações. Discordamos delas, consideramos que são tendenciosas e infundadas. E rejeitamos-as veementemente", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, na segunda-feira citado pela BBC.
Yulia, a viúva de Navalny, já havia dito anteriormente que as análises realizadas em laboratórios de dois países mostravam que Alexei Navalny foi "assassinado" e, na altura, desafiou até as instituições a publicarem os seus resultados. O Kremlin nunca comentou estas acusações.
Esta não foi, no entanto, a primeira vez que o opositor russo terá sido alvo de uma tentativa de envenenamento. Em 2020, Navalny recebeu até tratamento hospitalar na Alemanha depois de ter sido alvo de uma tentativa de envenenamento com o agente nervoso Novichok. Mesmo depois de os vários alertas por parte das autoridades, Navalny decidiu regressar no ano seguinte à Rússia, ao afirmar que não queria "abandonar o país nem as crenças". Acabou por ser detido à chegada ao país e pouco mais de um ano depois morreu na prisão, situada acima do Círculo Polar Ártico.
Esta segunda-feira, foram vários os diplomatas estrangeiros que se dirigiram até ao cemitério de Borisovskoye para depositar flores no túmulo de Navalny. Um bilhete deixado no túmulo dizia até: "Alexei, nós lembramo-nos de ti todos os dias", segundo a BBC. Nas redes sociais, Yulia também aproveitou para marcou o segundo aniversário da morte do marido. "Alcançamos a verdade e um dia também alcançaremos a justiça", escreveu.
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