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Passou um ano desde o regresso de Trump à Casa Branca: 365 dias que mudaram o mundo

Débora Calheiros Lourenço 20 de janeiro de 2026 às 07:00

Em apenas um ano o presidente norte-americano ameaçou meio-mundo, bombardeou um país e capturou o presidente de outro.

Esta terça-feira, 20 de janeiro, marca um ano do regresso de Donald Trump à Casa Branca e esse ano foi suficiente para alterar a forma como os Estados Unidos se relacionam com o resto do mundo.   
AP Photo/Mark Schiefelbein, File
O republicano é atualmente uma figura profundamente impopular, com um número crescente de americanos insatisfeitos com a sua gestão da economia e tem dúvidas sobre as suas prioridades. Segundo uma sondagem da Reuters, realizada a semana passada, a taxa de aprovação de Trump encontra-se agora em 41% e 58% dos adultos norte-americanos desaprovam o seu desempenho no cargo. 

Política nacional agressiva com ataque aos imigrantes e às liberdades individuais

O mais recente relatório da Amnistia Internacional - “Ringing the Alarm Bells: Rising Authoritarian Practices and Erosion of Human Rights in the United States” ("Soando os alarmes: aumento das práticas autoritárias e erosão dos direitos humanos nos EUA" em tradução livre)  - alerta para a escalada das práticas autoritárias da administração Trump com o “encerramento do espaço cívico e o enfraquecimento do Estado de direito”. A Amnistia acusa o republicano de “abalar pilares de uma sociedade livre, incluindo ataques à liberdade de imprensa e ao acesso à informação, à liberdade de expressão e de reunião pacífica, às organizações da sociedade civil e às universidades, aos opositores políticos e críticos, aos juízes, advogados e ao sistema jurídico”.  “Ao mesmo tempo, a intimidação da imprensa torna mais difícil expor as violações e abusos dos direitos humanos; a retaliação contra os protestos faz com que as pessoas tenham medo de falar”, refere o relatório.  Trump prometeu, ainda em campanha, levar a cabo a maior da história do país - plano que começou a ser concretizado logo nos primeiros dias do mandato. Segundo os dados oficiais, em dezembro do ano passado, já tinham saído do país mais de 2,5 milhões de pessoas, o Departamento de Segurança Interna fez mais de 605 mil deportações e avançou que outros 1,9 milhões de imigrantes ilegais saíram do país voluntariamente. Além disso, o número de detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês) atingiu um novo recorde este mês, ultrapassando os nos 23 anos de história da agência, de acordo com dados internos do DHS obtidos pela rede CBS News.  O relatório da Amnistia Internacional também documenta ataques aos direitos dos refugiados e migrantes e o retrocesso nas proteções contra a discriminação, assim como a utilização das forças armadas para fins domésticos e a expansão da vigilância sem supervisão significativa.    A nível económico este ano ficou marcado pela enorme pressão, exercida por  Trump, para uma , entrando em confronto direto com o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, que se recusa a ceder.  Este ano é especialmente importante para o tempo de Trump na Casa Branca, uma vez que em novembro se realizam as . O republicano está atualmente a tentar alterar algumas das regras que regem as intercalares de forma a beneficiar os republicanos. 

Uma política internacional imprevisível

O relatório da Amnistia Internacional acusa Trump de “minar os sistemas internacionais destinados a proteger os direitos”, facto é que o líder norte-americano tem alterado o panorama internacional ao escolher parceiros que não seriam os mais previsíveis e deixando os aliados tradicionais para trás.   Trump retirou o país da Organização Mundial da Saúde e do Conselho de Direitos Humanos logo após tomar posse, além de anunciar o encerramento das atividades da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Já no arranque de 2026, anunciou a saída de 66 organizações internacionais, 31 delas ligadas às Nações Unidas - organização à qual também cortou financiamento.  Vários são os exemplos de como Trump “incomodou” os seus vizinhos durante este ano, começou por rebatizar o Golfo do México como "", prometeu assumir o controlo do Canal do Panamá e admitiu a possibilidade de recorrer à força militar para assumir o controlo da Gronelândia e do Canadá. 
No início deste ano os Estados Unidos levaram a cabo uma operação militar para capturar o então presidente da Venezuela, , e a sua mulher. Ambos estão neste momento em Nova Iorque para serem julgados por acusações de narcotráfico. Esta situação voltou a trazer a questão a para o debate norte-americano com Donald Trump a referir que precisa do território dinamarquês e a assumir utilizar a força para o conseguir.  

Guerra na Ucrânia e em Gaza sem resolução

Durante a campanha Trump afirmou que acabaria com a guerra na Ucrânia em um dia, e chegou até a afirmar que se fosse presidente esta nem teria começado. Passado um ano, e depois de ter tentado normalizar as relações com a Rússia, Trump ainda não conseguiu alcançar um . Conseguiu, isso sim, limitar o apoio económico norte-americano à Ucrânia e fazer com que os restantes países europeus aumentassem as suas despesas ao comprarem mais armamento norte-americano para enviarem para a Ucrânia.   Quanto a Gaza Trump parece ter tido mais algum sucesso. O cessar-fogo foi assinado pelo Hamas e por Israel em outubro do ano, apesar de atualmente se encontrar num impasse, fez com que ambos os lados concordassem com o seu , que prevê que o enclave seja governado por um Conselho para a Paz em Gaza, nomeado pelo próprio Donald Trump.   O conflito em Gaza levou também ao agravamento das relações entre o Irão, principal financiador do Hamas, e os Estados Unidos e Trump chegou a ordenar ataques contra três instalações nucleares no Irão e não rejeita, agora, uma nova ação militar contra o regime iraniano face à repressão de protestos que se registam no país. 
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