O Presidente dos EUA quer que a 20 de janeiro todas as instituições financeiras cumpram esta exigência. "Alguns estão a cobrar 28%, quase 30%. As pessoas não sabem que estão a pagar" esse valor, disse.
O Presidente dos EUA tem um novo setor na mira – a banca. Donald Trump apelou, mas em tom de exigência, a que as instituições financeiras limitem as taxas de juros nos cartões de crédito a 10%, durante o período de um ano, já a partir da próxima semana, 20 de janeiro.
Tucker Carlson diz que Trump vai declarar guerra à Venezuela
Se as taxas não descerem até lá, os bancos vão estar "a violar a lei", disse, a bordo do Air Force One, enquanto regressava a Washington. "Alguns [bancos] estão a cobrar 28%, quase 30%. As pessoas não sabem que estão a pagar 30%. Estão a trabalhar e não têm ideia de que estão pagar 30%. Realmente abusaram dos cartões de crédito”, atirou.
No entanto, não está definida na legislação norte-americana como é que as instituições financeiras, como o JPMorgan Chase & Co., a Capital One Financial o e Citigroup, poderiam infringir a lei caso não obedecessem a Trump, que pode para já usar, pelo menos, a sua influência política.
As taxas de juro dos cartões de crédito são consideradas as "joias da coroa" do setor bancário. Nos EUA, os valores têm-se mantido acima dos 20%. No final do ano passado, a taxa de juro média ficou em torno de 21%, de acordo com os dados da Reserva Federal. Quer isto dizer que, por exemplo, pagar 10 mil dólares em três anos gera mais de 3.500 dólares em juros.
Apesar de nos últimos meses terem surgido vários projetos de lei, dos republicanos aos democratas, contra as práticas do setor, as associações têm resistido, defendendo-as com unhas e dentes. Dizem que a descida das taxas faria os alarmes soarem na maior economia do mundo: colocariam em risco a rentabilidade e deixariam os americanos numa situação de perda de acesso ao crédito.
As associações da banca, como o Bank Policy Institute e o Consumer Bankers Association, responderam ao "apelo" de Trump com moderação. “Compartilhamos o objetivo do Presidente de ajudar os americanos a terem acesso ao crédito mais acessível”, escreveram sexta-feira em nota, citada pela Bloomberg. “Ao mesmo tempo, as evidências mostram que um limite de 10% na taxa de juro reduziria a disponibilidade de crédito e seria devastador para milhões de famílias americanas e proprietários de pequenas empresas que dependem e valorizam os seus cartões de crédito, justamente os consumidores que esta proposta pretende ajudar”, sublinharam.
Há quem conteste de forma mais direta esta exigência. Scott Simpson, presidente da America’s Credit Unions, afirmou que os efeitos de um limite de 10% seriam "devastadores".
“Um limite de 10% significaria o fim dos cartões de crédito para a maioria dos consumidores, exceto aqueles que menos precisam deles”,como “aqueles com um crédito muito bom”, disse também Matthew Goldman, fundador da Totavi, uma empresa de consultoria para pagamentos eletrónicos.
Em bolsa, as palavras de Trump já surtiram efeito, nos EUA e na Europa. Do lado de lá do Atlântico, o JPMorgan Chase & Co. tomba 2,65% nas negociações de pré-mercado de Wall Street, enquanto o Citigroup desce 4% e o Capital One Financial mergulha mais de 8%. Na Europa, o Barclays cede 2,7% em Londres.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.