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Como é que os Estados Unidos conseguiram capturar Nicolás Maduro?

Débora Calheiros Lourenço
Débora Calheiros Lourenço 03 de janeiro de 2026 às 20:56
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Os norte americanos levaram a cabo, na madrugada deste sábado, a Resolução Absoluta que contou com mais de 150 aeronaves.

Depois de meses em que as tensões entre os Estados Unidos e o regime de Nicolás Maduro aumentaram, Donald Trump ordenou uma operação militar capaz de capturar o presidente venezuelano e a sua esposa e levá-los para os Estados Unidos, onde Trump quer que seja julgado.  

Blindagem militar nas ruas da Venezuela após ataque dos Estados Unidos
Blindagem militar nas ruas da Venezuela após ataque dos Estados Unidos AP Photo/Cristian Hernandez

Este sábado o líder norte-americano deu uma conferência de imprensa na sua casa na Florida onde partilhou os detalhes sobre o ataque ocorrido na noite anterior. 

Maduro encontrava-se numa “fortaleza”

Trump descreveu que Maduro se encontrava “altamente protegido” no palácio presidencial, que considerou “uma fortaleza militar fortemente fortificada no coração de Caracas”. O líder venezuelano quase que conseguiu chegar a uma sala segura dentro do palácio, antes de ser capturado, no entanto “não conseguiu fechá-la”.  

Numa entrevista concedida no início da manhã de sábado ao programa Fox & Friends Weekend, o presidente norte-americano afirmou que as forças americanas estavam preparadas para conseguir partir as paredes de aço da sala de segurança. “Havia o que se chama de espaço de segurança, todo cercado por aço maciço. Ele não se conseguiu fechar nesse espaço. Tentou, mas foi atacado tão rápido que não conseguiu”, afirmou.  

Ataque foi preparado durante meses

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior, referiu, na conferência de imprensa, que as forças americanas ensaiaram as manobras durante meses. Durante este período os militares estudaram tudo sobre Maduro – onde se encontrava, o que comia e até que roupas vestia ou como se comportavam os seus animais de estimação.  

“Pensámos, desenvolvemos, treinámos, ensaiámos, analisámos, ensáiamos novamente e novamente”, referiu o general, antes de garantir que as tropas se encontravam “prontas” desde o início de dezembro. 

Trump referiu ainda que tinham treinado a extração numa réplica do palácio e que os militares estavam prontos para ter de repetir o ataque. 

Detalhes da Resolução Absoluta

Caine partilhou que a operação foi batizada como 'Resolução Absoluta' e que contou com mais de 150 aeronaves lançadas de todo o Hemisfério Ocidental – incluindo caças F-18, F-22 e F-23, bombardeiros B-1 e drones.  

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Trump deu a autorização para o início do ataque às 22h46 de sexta-feira e as forças americanas chegaram ao complexo de Maduro à 1h01. Às 3h29 Nicolás Maduro e Cilia Flores já estavam num navio de guerra norte-americano a serem levados para Nova Iorque.  

Feridos dos dois lados

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, afirmou que alguns civis venezuelanos e membros das forças armadas foram mortos devido às explosões que a capital do país foi alvo. 

Trump também referiu que alguns membros americanos da operação ficaram feridos, mas que não tem informação sobre a existência de mortos: “Alguns homens foram atingidos, mas voltaram e devem estar em boas condições”.  

Pouco se sabe sobre o futuro da Venezuela

Trump já avançou que os norte-americanos “vão formar uma equipa que trabalhará com o povo da Venezuela”, no entanto deixou em aberto a possibilidade de enviar tropas americanas para o país da América Latina. “Não temos medo de enviar tropas terrestres, se for preciso. Tivemos tropas terrestres ontem à noite”.  

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Assim sendo os Estados Unidos "vão governar” o país até que possa ser escolhido um novo líder. O presidente dos Estados Unidos considerou ainda que , vencedora do prémio Nobel da Paz e rosto da oposição na Venezuela, “não tem o apoio ou o respeito” necessários para governar o país.  

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