A decisão era esperada pelo mercado, que está a antecipar uma primeira subida das taxas de referência depois do verão e ainda uma segunda até ao final do ano.
A incerteza é elevada, mas o Banco Central Europeu (BCE) ainda não vai mexer nas taxas de juro de referência na Zona Euro. Após a reunião do conselho de governadores desta quinta-feira, a autoridade liderada por Christine Lagarde decidiu não fazer alterações, tal como era esperado pelo mercado, e prometeu acompanhar a evolução da guerra no Irão.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central EuropeuArne Dedert / picture-alliance / dpa / Associated Press
O conselho decidiu manter as três taxas de juro diretoras do BCE inalteradas e "está determinado a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo", anunciou, em comunicado. A taxa de referência, a aplicável à facilidade permanente de depósito, fica em 2%, enquanto a taxa das operações principais de refinanciamento continua em 2,15% e de facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,4%.
Contudo, o BCE adverte que a guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas "consideravelmente mais incertas", criando riscos em alta para a inflação e riscos em baixa para o crescimento económico. Esta "terá um impacto significativo na inflação a curto prazo através de preços mais elevados dos produtos energéticos".
O banco central indica que as suas implicações a médio prazo dependerão quer da intensidade quer da duração do conflito e da forma como os preços dos produtos energéticos afetarão os preços no consumidor e a economia e garante que o conselho "está bem posicionado para navegar esta incerteza".
A "informação disponibilizada no futuro próximo" ajudará a "avaliar" em que medida a guerra afetará as perspetivas de inflação e os riscos que as rodeiam, diz, tendo abandonado a referência a que a inflação deverá estabilizar no objetivo de 2% a médio prazo. Aliás, na atualização das projeções macroeconómicas, o "staff" de Frankfurt indica já que a inflação vai disparar para 2,6% este ano antes de voltar à meta em 2027.
"O Conselho do BCE seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação apropriada da política monetária. Mais especificamente, as decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas – à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária. O Conselho do BCE não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica", acrescentou.
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