As alterações climáticas, o aumento do consumo e os desafios operacionais estão os fatores apontados para a subida de preço do café moído.
Nos últimos anos, o aumento dos custos de produção, as dificuldades operacionais e as alterações climáticas têm pressionado o preço dos alimentos, com o café moído a acompanhar a tendência. Cláudia Pimentel, secretária-geral da Associação Industrial e Comercial do Café (organização patronal sem fins lucrativos que representa o setor do café em Portugal) diz à SÁBADO que a escassez de café não é um cenário para já, mas confirma a existência de um conjunto de fatores que provocam uma subida nos preços: "Estamos a falar de planta sensível, que só cresce determinadas condições ambientais. Têm havido cada vez mais secas e mais cheias nos países que produzem café".
Grãos de café torrados e aromáticosFernando Gutierrez-Juarez/picture-alliance/dpa/AP Images
Falamos, por exemplo de países como o Brasil e o Vietname, que nos últimos anos enfrentaram fenómenos meteorológicos extremos, com um impacto direto nas colheitas. Além disso, Cláudia Pimentel elenca fatores como o aumento do consumo de café nos países asiáticos, nomeadamente na China, o que influencia a lei da oferta e da procura.
Jorge Monteiro, sócio-gerente da empresa de torrefação de cafés A Flor da Selva, afasta um cenário dramático, mas admite que a junção destas condicionantes se reflete num aumento geral do custo vida e numa possível especulação por parte das entidades que investem no setor. "Há um aproveitamento das grandes empresas, que têm os clientes cativos por contrato", afirma. Além disso, relembra que os conflitos armados impactam o transporte marítimo, o que obriga os navios a percorrer trajetórias mais longas. “Nós vendemos café com origem na Ásia e sentimos o impacto das oscilações”.
O fenómeno não se limita a Portugal e em 2025 já tinham sido atingidos valores recorde. Dados do Departamento de Estatísticas Trabalhistas dos EUA (Bureau of Labor Statistics), citados pela rede de televisão CNBC, revelavam que em julho de 2025 o preço do café torrado e moído em dólares por libra tinha atingido um recorde histórico, com um aumento de 33% em relação ao ano anterior.
Sobre as estratégias adotadas para colmatar estas oscilações, Cláudia Pimentel destaca a "aposta numa melhoria das condições de plantio, para prevenir estragos com fenómenos meteorológicos, e "o investimento em origens mais rentáveis para a indústria". Ainda assim, salienta que existem fatores que são exteriores às empresas de torrefação e que o preço do café é vendido em bolsa, "portanto, não é algo que seja negociável diretamente".
Em Portugal, a subida do preço dos alimentos é geral e não se restringe apenas ao café moído. A monitorização da Deco/Proteste, organização de defesa do consumidor em Portugal, revela que na segunda semana de março o cabaz alimentar atingiu o preço mais elevado de sempre desde 2022, situando-se agora nos 254,12 euros. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a curgete (45%) foi um dos alimentos que mais aumentou, seguindo-se o robalo (41%) e o café torrado moído (33%). A mesma organização alerta que os preços podem continuar a subir, devido ao conflito no Médio Oriente, que já fez disparar o preço dos combustíveis.
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