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O local com maior concentração em Portugal é na freguesia de Muge, em Santarém, onde foram detetadas 3.200 nanogramas de PFAS por litro. Substâncias são prejudiciais para a saúde.
Vários poluentes conhecidos como "produtos químicos eternos", por nunca se decomporem, foram detetados em grande escala em milhares de locais na Europa, incluindo em Portugal. Os dados foram divulgados esta quinta-feira por um consórcio de investigação e jornalismo.
Lusa
O mapa desenvolvido demonstra que as substânciasperfluoroalquiladas(PFAS), presentes em cerca de dez mil produtos valorizados pelas suas propriedades antiaderentes e de limpeza, já chegaram às águas, solos e sedimentos de muitos países europeus.
Dois tipos de PFAS detêm uma concentração química com um grande nível de toxicidade que pode ser prejudicial para a saúde. A exposição a PFOA tem sido relacionada com o cancro renal e dos testículos, tiroide, colite ulcerosa, colesterol alto e hipertensão durante a gravidez. Já o PFOS está associado a doenças reprodutivas, de desenvolvimento, hepáticas, renais e tiroide.
As substâncias foram encontradas em cerca de dezassete mil locais na Europa. Em 640 locais foi identificada uma alta concentração de poluentes, com mais de mil nanogramas por litro de água e 300 locais com mais de dez mil nanogramas por litro.
O local com maior concentração em Portugal é na freguesia de Muge, em Santarém, onde existem 3.200 nanogramas de PFAS por litro, existindo ainda outros oito locais em território continental onde a concentração de PFAS por litro é superior a 10 nanogramas.
O estudo demonstra que é na Bélgica onde se encontram os maiores níveis de poluição. Os PFAS encontram-se em águas subterrâneas perto de uma fábrica da multinacional 3M em Zwijndrecht com uma concentração de até 73 milhões de nanogramas por litro.
As pessoas que moram até 15 quilómetros desta fábrica foram instruídas a não comer os ovos que as suas galinhas dão e evitar os vegetais cultivados na zona. Já os moradores num raio de cinco quilómetros foram submetidos a testes de sangue para detetar a presença de PFAS.
A 3M prometeu remediar a situação, trabalhando para "descontinuar o uso de PFAS no seu portfólio até ao final de 2025" e "assinou um acordo com a região" que requer "um investimento de 571 milhões de euros".
Nos Países Baixos, ocorreu um acidente que envolveu PFAS existentes numa espuma de combate a incêndios que acabou por contaminar toda a terra ao redor do aeroporto de Schiphol, em Amsterdão.
No Reino Unido, os níveis mais altos de PFAS foram encontrados no rio Wyre, a noroeste, ponto de descarga de uma fábrica de produtos químicos. Neste rio os peixes estão também contaminados, segundo os dados do Centro do Meio Ambiente, Pesca e Aquicultura local a solha apresenta até onze mil nanogramas por quilo.
Ian Cousin, cientista ambiental da Universidade de Estocolmo, alerta que os lugares onde existem animais com uma concentração superior a mil nanogramas por quilo deve, ser "avaliados com urgência". Em declaração aoThe Guardianconsidera que "em locais altamente contaminados as autoridades locais devem desenvolver testes para garantir que os níveis de PFAS nos produtos locais são seguros" esse trabalho pode ser importante para "determinar se são necessários conselhos de saúde locais e campanhas publicitárias para desencorajar o consumo regular de peixes selvagens, mariscos ou ovos".
Crispin Halsall, professor de química ambiental na Universidade de Lancaster, partilhou com o jornalThe Guardianque este tipo de concentração é algo preocupante, uma vez que existe "o risco de o gado ter acesso a esta água e a partir daí os PFAS entram na cadeia alimentar humana".
Para Crispin Halsall, a maior preocupação é a água subterrânea uma vez que pode ser "captada para agricultura ou, mais grave ainda, para os humanos".
Levantamentos de dados fornecidos pela Agência Ambiental ao jornal britânico demonstram que, desde 2006, cerca de 120 amostras de água potável continham concentrações de PFOS ou PFOA acima de 100 nanogramas por litro, o que levou as companhias de água a adotar medidas para reduzir esta concentração antes que a água chegasse às troneiras dos consumidores.
No entanto, o químico Roger Klein, especialista em PFAS, acredita que a prática de tentar diluir os poluentes em água está errada uma vez que a mesma "é a saída preguiçosa e não remove o PFAS" uma vez que estes "são altamente persistentes e biocumulativos".
Nos Estados Unidos, os limites máximos de PFAS que podem estar presentes num litro de água são muito mais reduzidos do que na Europa, situando-se nos 0,004 nanogramas para PFOA e 0,02 para PFOS.
A União Europeia pretende regular os PFAS como uma classe em vez de tentar lidar com cada substância de uma forma independente e a Agência Europeia de Produtos Químicos estima que cerca de 4.4 milhões de toneladas de PFAS sejam despejados no meio ambiente nos próximos 30 anos se não forem tomadas medidas preventivas.
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