DESTAQUE SÁBADO DE 24 DE JUNHO DE 2021

A nova vida de Melides… e a que não queremos que mude

A nova vida de Melides… e a que não queremos que mude
Ana Taborda 24 de junho

Uma piscina feita para estar em pé, dentro de água, a conversar, passeios de balão com vista para a lagoa ou drones que o filmam a andar de cavalo em praias desertas. Na terra que encantou famosos como Christian Louboutin, não faltam novidades – e até os sítios de sempre ganharam novas esplanadas e pratos vegetarianos.

Regressar a Melides é pôr uma moeda de 1 euro em cima do balcão da Tabanca e ter a certeza de que continuamos a pagar um café e a trazer troco – ao contrário do que facilmente acontece na vizinha Comporta. É revisitar a banca de peixe que nos ensinou que os percebes ficam melhores se forem cozidos em água do mar, a mesma de onde vieram as sardinhas que ainda vamos comer ao almoço.

É estar na esplanada com mesas compostas e não ver turistas porque é terça-feira de manhã numa aldeia a 10 minutos do mar, mas que tem vida própria. Saber que o Fadista continua a ser o sítio certo para comer amêijoas ou uma massa de sapateira, que o melhor frango assado se compra no talho e que pode não estar ninguém nos CTT, mas há o número de telemóvel da Teresa sempre na porta. É olhar com admiração para os carros mais sujos porque provavelmente são aqueles que conhecem melhor as praias selvagens e os segredos da zona.

Estar em Melides é começar uma conversa e a meio aparecer uma pessoa com quem queríamos falar, mas que ainda não tínhamos procurado. Porque em Melides é normal andar por ali. Nesta aldeia a uma hora e um quarto de Lisboa, o rumor de que George Clooney acaba de arrendar uma casa para os seus cozinheiros convive com a saga dos resistentes que há anos recusam ofertas sem preço (1 milhão, 2 milhões, o valor pouco importa) para vender as suas casas. É verdade que o luxo está permanentemente à espreita – há o hotel em obras de Louboutin, a pequena loja da condessa Noemi Cinzano e vários outros projetos em desenvolvimento – mas o que é autêntico teima em não desaparecer.

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