Os trabalhos de Leão: os trunfos e as dores de cabeça à esquerda

Os trabalhos de Leão: os trunfos e as dores de cabeça à esquerda
Margarida Davim 12 de outubro

João Leão mostra-se "confiante" na aprovação do Orçamento. E dá alguns sinais à esquerda. Mas podem ser curtos. A negociação deve manter-se até ao final. Para já, o BE anuncia o voto contra.

O slogan do Governo para o Orçamento pretende falar ao coração da esquerda, mas muitas das medidas anunciadas ficam aquém do que tem sido exigido por PCP e BE. "Um Orçamento bom para as famílias", como João Leão o anunciou, tem descida de IRS para todos os escalões, alívio fiscal para os trabalhadores jovens e para os que regressam do estrangeiro, apoios extra a quem tem filhos e às crianças em situação de pobreza, reforço do investimento no SNS e na recuperação das aprendizagens na Educação e aumento da tributação das mais-valias especulativas. Mas não é claro que isso chegue para convencer os partidos da esquerda de que este seja mesmo "um Orçamento bom".

PCP queria mais escalões, BE prefere alívio no IVA da luz

Tem sido uma reivindicação antiga do PCP o aumento dos escalões do IRS, para aumentar a progressividade deste imposto. Os comunistas reclamam há muito dez escalões de rendimentos. O Governo anuncia sete neste Orçamento, garantindo que em nenhum se vai pagar mais impostos, coisa que faz com que o alívio fiscal seja maior para os contribuintes que ganham mais.

Está por aumentar o mínimo de subsistência, patamar até ao qual não se paga IRS, como notou o PEV na reação inicial ao documento no Parlamento. E também não foi feita qualquer atualização das tabelas de IRS tendo em conta a inflação prevista.

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