Operação Marquês: As 6.728 páginas cor de Rosa

Operação Marquês: As 6.728 páginas cor de Rosa
Marco Alves 16 de abril

A longuíssima decisão instrutória do juiz Ivo Rosa realça com todas as letras que José Sócrates foi corrompido, mas o ex-primeiro-ministro saiu da audiência mais aliviado. Veja porquê.

A passada sexta-feira, 9, arrancou com 28 arguidos e 189 crimes no despacho de acusação do Ministério Público. O juiz de instrução Ivo Rosa espremeu tudo a 5 arguidos e 17 crimes. Entre eles, José Sócrates e o amigo Carlos Santos Silva, acusados cada um de três crimes de falsificação de documentos e branqueamento de capitais. Todos os crimes de corrupção pelos quais o antigo primeiro-ministro vinha acusado caíram. A decisão instrutória de Ivo Rosa, com quase 7 mil páginas, desmonta grande parte das teses do Ministério Público. Quase sempre de forma polémica. Veja alguns casos.

O que fazer com Bataglia?


Ivo Rosa desvalorizou o depoimento fundamental do empresário luso-angolano Hélder Bataglia no dia 5 de janeiro de 2017, em que incriminava Ricardo Salgado dizendo que este lhe pedira se podia passar pelas suas contas na Suíça €12 milhões para uns "pagamentos" a Carlos Santos Silva. O amigo de Sócrates negou, tal como o banqueiro, e assim, perante esta contradição entre duas partes, Ivo Rosa decidiu deixar cair a de Bataglia.

Começou por dizer que o seu testemunho é frágil porque é coarguido, ou seja "pode ser impulsionado por razões aparentemente suspeitas, tal como o anseio de obter um trato policial ou judicial mais favorável, o ânimo de vingança, ódio ou ressentimento", diz, indo buscar um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça. Outro problema: no primeiro confronto com as autoridades, em abril de 2016, num interrogatório na Direção Nacional de Investigação e Ação Penal, em Luanda, no âmbito da carta rogatória dirigida à justiça de Angola, Bataglia disse que não sabia de nada. Em Lisboa, alguns meses depois, começou a falar. Para Ivo Rosa isto é suspeito, não considerando por exemplo a tese de que Bataglia tenha começado a falar porque foi cercado pelo MP, que lhe fez pender sobre a cabeça um mandado de captura internacional que na prática o deixava sem poder sair de Angola.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais