Como o juiz passou Santos Silva de "testa de ferro" a principal corruptor de Sócrates

Prescrição e falta de provas foram os motivos para o arquivamento dos crimes de corrupção imputados ao antigo primeio-ministro, a Ricardo Salgado e a Armando Vara

Ao fim de sete anos de processo, afinal, Carlos Santos Silva não foi o "testa de ferro" de José Sócrates, mas sim o seu principal corruptor. Esta foi a conclusão do juiz Ivo Rosa, esta sexta-feira, decidiu levar apenas cinco dos 28 arguidos da Operação Marquês a julgamento. Pelo caminho, o magistrado judicial deitou por terra toda narrativa do Ministério Público quanto aos atos de corrupção com o Grupo Lena, Grupo Espírito Santo e Vale do Lobo. Ou não havia indícios ou prescreverem ou, ainda, ambos.

Por isso, e já depois de ter anunciado o arquivamento de três crimes de corrupção passiva imputados pela acusação ao antigo primeiro-ministro, foi com surpresa que a sala onde decorreu a leitura do despacho instrutório ouviu Ivo Rosa a declarar que, no meio de tantas suspeitas, os únicos indícios de corrupção que existiam diziam respeito a Carlos Santos Silva, empresário e amigo de José Sócrates, sempre descrito pela acusação como o seu " testa de ferro", estando até acusado de um crime de corrupção passiva ligado ao antigo primeiro-ministro.

Para Ivo Rosa, porém, o processo da Operação Marquês só tem provas de corrupção relativas à ligação entre Sócrates e Carlos Santos Silva, já que só entre os dois existem elementos concretos de circulação de dinheiro. Ao todo, contabilizou o juiz, de 2011 a 2014, o empresário terá colocado colocados 1,7 milhões de euros, dos quais 647 mil euros em numerário. "As quantias em numerário utilizadas por José Sócrates, não correspondem a um empréstimo", declarou Ivo Rosa, considerando que o que esteve em causa foi uma "aceitação de uma vantagem patrominial" que, da parte de Santos Silva tinha como objetivo "criar um clima geral de simpatia, de permeabilidade" ou, como referiu o Ministério Público, de "compra de personalidade".

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