No domingo estarão em confronto dois políticos com visões opostas do País e dois homens com perfis socioeconómicos distintos
Entramos na reta final da segunda volta das Presidenciais 2026, fortemente marcada pelas tempestades que assolaram o País. No domingo, estão no boletim de voto dois homens com muito pouco em comum.
Seguro e Ventura, políticos com visões opostas e perfis socioeconómicos distintos
Ventura é um produto urbano. Nascido em Algueirão-Mem Martins, nos arrabaldes de Lisboa, sempre
gravitou no meio da capital tentando várias profissões até uma dar certo: deu aulas, foi inspetor tributário, consultor, comentador desportivo e finalmente político. Não tem qualquer perfil de investidor ou empreendedor
– o próprio já o disse à SÁBADO.
António José Seguro vem de fora dos
grandes centros urbanos, no caso a Grande Lisboa. Nasceu em Penamacor (Castelo Branco)
e foi estudar para Lisboa, onde fez o seu percurso na política. Nunca se
estabeleceu definitivamente na capital. Desde que se casou que tem residência
nas Caldas da Rainha (terra natal da mulher) e criou uma série de negócios em
Penamacor, sobretudo quando saiu da liderança do PS, nas célebres diretas
contra António Costa, em 2014.
Veja um pouco mais sobre os dois candidatos a partir do
que declaram no Tribunal Constitucinal.
André Ventura
O líder do Chega tem uma declaração de património,
interesses e rendimentos extremamente plana. Para isso contribuiu o facto de não
ter carros, casas, empresas, dívidas ou mesmo produtos financeiros onde aplique
poupanças. Tem também apenas uma fonte de rendimentos, o Parlamento.
Ventura não tem uma casa para declarar porque vive na da
mulher, Dina Nunes Ventura, com quem é casado por comunhão de adquiridos. A
casa está situada num condomínio de gama alta na freguesia do Parque das
Nações, em Lisboa. Não é uma casa modesta de "30 metros quadrados",
como o político referiu num debate com Mariana Mortágua.
Ventura declarou apenas rendimentos de deputado da
Assembleia da República: €62.714 brutos durante 2024 (ano a que reportam os
rendimentos da mais recente declaração entregue). No banco, declarou uma conta
à ordem no valor de €124 808.
Ao longo dos anos, a SÁBADO tem também
revelado a evolução patrimonial do líder do Chega (por exemplo, neste recente), que não é muito diferente da atual. Em 2023
vendeu o BMW Série 1 que tinha (hoje desloca-se num carro do partido, com
motorista e seguranças), mesmo no seu tempo livre, como já o referiu em
reportagens da SÁBADO.
Esta ausência de custos fixos é uma das razões porque ao
longo dos anos foi acumulando dinheiro na conta à ordem, não tendo de momento
qualquer tipo de investimento, seja a prazo, seja em produtos financeiros com
maior risco. Em 2018, por exemplo, Ventura tinha poupanças que concentrava
num só instrumento sem risco, nem retorno: a conta à ordem. “Não tenho jeito
para investimentos, nem para aplicações - essa é a única razão”, disse à SÁBADO antes
das Presidenciais de 2020.
Em 2017, quando apresentou a primeira declaração, era
sócio de uma pastelaria em Loures com o sogro. Venderia a participação nesse
ano.
António José Seguro
A declaração de rendimentos, património e interesses que aparece mais bem posicionado nas sondagens é mais complexa do que a de André Ventura. Por duas razões: Seguro tem várias fontes de rendimentos e várias empresas, que por sua vez têm rendimentos e património.
a questão das empresas foi até há poucos dias uma das pontas soltas de António José Seguro. A 14 de janeiro, a SÁBADO escrevera que o candidato declarara os ses rendimentos e património, mas não o fizera quanto aos ativos das empresas - especificamente, uma consultora, uma que explora alojamento local e outra que faz produção agrícola.
Quer no seu site de candidatura, quer na declaração entregue na Entidade para a Transparência, o ex-líder do PS indicou rendimentos individuais de €54.647 em 2024, sendo €7.129,66 da Mimos da Beira, €16.660 da Universidade Autónoma, €14.436,94 do ISCSP, €5.518,75 de rendimentos de trabalho independente (comentários na CNN Portugal) e €10.902 de rendimentos prediais.
Quanto ao património individual, referiu não ter qualquer conta à ordem que tenha saldo superior a 50 salários mínimos, ou seja, não tem de declarar. A prazo declarou duas contas, uma de €5.095,85 e outra de €5.098,67
Sem passivo e carro, declarou ser proprietário e coproprietário (com a mulher, com quem está casado por comunhão de adquiridos) de três apartamentos: um em Lisboa (freguesia de São Domingos de Benfica) e dois nas Caldas da Rainha.
Indicou também três direitos de crédito, no total de €168.314,66. Não é declarado a que se referem.
Quanto às empresas, Seguro indicou que a faturação total das empresas de que é sócio (Amarcor, Lda – Mimos da Beira, Lda – N&A, Lda) foi de €347.255,34, "dos quais 88% no âmbito da sua atividade principal de alojamento local e venda de produtos alimentares”. Esta terceira empresa referida, a N&A, servirá para a faturação dos serviços de consultoria, conferências, docência e comentário político.
Quanto ao património das empresa, declarou um terreno de 3.625 hectares, em Carril, Penamacor, que pertence à Mimos da Beira, que faz "exploração agrícola e produção e comércio por grosso e a retalho de produtos alimentares".
Noutra empresa, a Amarcor, estão seis casas, que estarão afetas ao Alojamento Local que o candidato explora em Penamacor. Cada uma das empresas tem um automóvel - um de mercadorias e outro ligeiro de passageiro.
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