Fisioterapeuta de crianças num
hospital de Lisboa há mais de 10 anos, Dina Ventura começou a passar por
situações complicadas, como ameaças verbais, por causa da vida política do
marido e, sobretudo, das suas afirmações muito próximas da extrema-direita.
Com a criação do Chega e o
ritmo frenético do deputado pelo País, Dina Ventura acabou por adaptar a sua
rotina de forma a acompanhar o marido quando podia. “A política, deixa-a para o
marido, ela é mais de socializar com as pessoas", diz Carina Deus,
tesoureira da distrital de Setúbal e a militante número 29 do Chega.
Dina Ventura nem sempre
consegue acompanhar o marido nessas digressões. Mas quando pode, está lá. Mesmo
em ocasiões privadas, de negociações nos bastidores. No fim de uma campanha das
Europeias, chegou a fazer uma publicação política no Facebook: "E assim
encerrámos ontem mais uma campanha. Uma campanha intensa, exaustiva e na qual
houve dias que apenas nos cruzávamos um com o outro. Mas espero (e acredito!)
que cada minuto que dedicámos a esta campanha, não foi em vão."
Com a família de Dina, Ventura partilhou em tempos um negócio. Segundo a declaração de rendimentos, quando era vereador do PSD em Loures, em 2017, tinha uma pastelaria com o sogro. Ventura detinha 45% e a pastelaria acabou vendida poucos dias depois de renunciar ao mandato autárquico. Outra ligação familiar: Miguel Nunes, irmão de Dina e, portanto, cunhado de Ventura, é dirigente do Chega; está há mais de dois anos está como auditor no Conselho de Auditoria e Controle Financeiro.
Dina Nunes Ventura partilha
com o marido a fé católica. E nunca o escondeu: na noite das eleições Legislativas
de 2024 rezou ao lado do marido na igreja onde se casaram, em frente às câmaras
– onde tem aparecido recorrentemente, embora passando relativamente
despercebida.
Sem filhos, os dois vivem num
apartamento no Parque das Nações, em Lisboa, propriedade dela.
Margarida Maldonado Freitas
A poucos dias de fazer 32 anos, António José Seguro subiu
a uma coluna de som numa discoteca da Figueira da Foz para dançar. Havia
deixado, há poucas horas, a liderança da Juventude Socialista (JS) e um grupo
saído desse congresso de março de 1994 foi “aproveitar a noite”, recorda um dos
presentes.
Às tantas, António Galamba – que esteve com Seguro na
liderança da JS, amigo de toda a vida, que o acompanhou na direção do PS, na
luta interna contra António Costa e volta a estar ao seu lado nesta candidatura
presidencial – chamou-o para o apresentar a Margarida Maldonado Freitas, eleita
naquela reunião para a comissão política da JS.
“Tozé” e Margarida estão juntos desde então e têm dois
filhos, Maria e António. Casaram-se no início de setembro de 2001 – Margarida
apenas pelo civil, mas acompanhou Seguro à igreja. António Galamba foi o
padrinho de casamento (e Seguro viria a ser o padrinho de casamento de Galamba,
a quem apresentou também a esposa deste). Todos os anos há festa para comemorar
o casamento, rodeados por amigos, em Porto Covo, o refúgio de férias da
família, como o casal contou à SÁBADO, nos últimos dias de
descanso, em setembro de 2025, durante uma reportagem
de preparação para as Presidenciais. A tradição do local de férias já vem
da família de Margarida.
Maria Margarida Nave Nunes Maldonado Freitas,
farmacêutica de 54 anos, é descendente de uma família de convictos republicanos
das Caldas da Rainha, envolvidos na luta antifascista, que se dedicaram ao
negócio das farmácias, e nas últimas gerações com ligações ao PS. “O pai de
Mário Soares tinha uma relação muito próxima com o Custódio Maldonado Freitas,
o bisavô da Margarida. Estavam unidos pelo anticlericalismo e pelo
republicanismo”, conta o socialista Vítor Ramalho, que conhece as duas
famílias. “Quando o pai de Mário Soares [João Lopes Soares] esteve preso nos
Açores, os bisavós da Margarida ficaram com o Mário Soares um ano em casa, nas
Caldas da Rainha”, continua.