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Dina ou Margarida. Uma delas será a próxima primeira-dama

Dina Ventura é fisioterapeuta, já sofreu ameaças e não fala à imprensa. Margarida Maldonado Freitas é farmacêutica e descendente de uma família de convictos republicanos das Caldas da Rainha e não pretende abandonar a profissão

Este domingo, com a eleição de António José Seguro ou de André Ventura, voltará a haver primeida-dama no palácio de Belém, depois dos dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa em que não existiu essa figura, que está instituída na lei desde 1996. O cônjuge do Presidente da República não tem funções oficiais, nem remuneração, mas, desde essa data que tem direito a um gabinete de apoio (), que pode ser constituído por dois adjuntos e um secretário. Antes de 1996, Manuela Ramalho Eanes e Maria Barroso receberam reis, acompanharam visitas de Estado e desenvolveram uma agenda social.

Dina Nunes e Margarida Maldonado, possíveis futuras primeiras-damas
Dina Nunes e Margarida Maldonado, possíveis futuras primeiras-damas

Fique a conhecer um pouco mais sobre Dina Ventura e Margarida Maldonado Freitas e se pretendem assumir de facto algum papel oficial como primeiras-damas.

Dina Ventura

Em momentos importantes na vida do Chega, uma mulher caminha discretamente ao lado de André Ventura. Trata-se de Dina Nunes Ventura, a sua mulher. Conheceram-se nos tempos universitários de Ventura, mas não se apaixonaram logo – o timing não era ideal. “Na altura, eu tinha outra namorada”, explicou o líder do Chega, para  (2024), de Alexandre R. Malhado. Ventura, a viver na residência de estudantes da paróquia de São Nicolau, na Baixa de Lisboa, ia com muita regularidade ao café do pai de Dina, à frente da igreja.

O líder do Chega estava nessa residência de São Nicolau depois de abandonar o seminário no Externato de Penafirme, em A dos Cunhados, Torres Vedras, por se ter apaixonado por uma rapariga. Foi aí que morou enquanto tirava Direito na Universidade Nova de Lisboa, que terminou com 19 valores, em 2005.

André e Dina casaram-se a 18 de junho de 2016 numa cerimónia católica presidida pelo padre Mário Rui, na mesma igreja de São Nicolau, em Lisboa. O padrinho foi Rui Gomes da Silva, ministro adjunto no Governo de Santana Lopes, hoje ministro-sombra do Chega para a Justiça. Um ano depois, a vida do casal começou a mudar, quando Ventura se candidatou à Câmara Municipal de Loures pelo PSD e começou a primeira de uma série de campanhas com bandeiras polémicas – em 2017, desde logo, contra a comunidade cigana.

O casal em casa
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura com o marido no casamento de Rita Matias
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
O casal em casa
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura com o marido no casamento de Rita Matias
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega
Dina Ventura em eventos do Chega

Fisioterapeuta de crianças num hospital de Lisboa há mais de 10 anos, Dina Ventura começou a passar por situações complicadas, como ameaças verbais, por causa da vida política do marido e, sobretudo, das suas afirmações muito próximas da extrema-direita.

Com a criação do Chega e o ritmo frenético do deputado pelo País, Dina Ventura acabou por adaptar a sua rotina de forma a acompanhar o marido quando podia. “A política, deixa-a para o marido, ela é mais de socializar com as pessoas", diz Carina Deus, tesoureira da distrital de Setúbal e a militante número 29 do Chega. 

Dina Ventura nem sempre consegue acompanhar o marido nessas digressões. Mas quando pode, está lá. Mesmo em ocasiões privadas, de negociações nos bastidores. No fim de uma campanha das Europeias, chegou a fazer uma publicação política no Facebook: "E assim encerrámos ontem mais uma campanha. Uma campanha intensa, exaustiva e na qual houve dias que apenas nos cruzávamos um com o outro. Mas espero (e acredito!) que cada minuto que dedicámos a esta campanha, não foi em vão."

Com a família de Dina, Ventura partilhou em tempos um negócio. Segundo a declaração de rendimentos, quando era vereador do PSD em Loures, em 2017, tinha uma pastelaria com o sogro. Ventura detinha 45% e a pastelaria acabou vendida poucos dias depois de renunciar ao mandato autárquico. Outra ligação familiar: Miguel Nunes, irmão de Dina e, portanto, cunhado de Ventura, é dirigente do Chega; está há mais de dois anos está como auditor no Conselho de Auditoria e Controle Financeiro.

Dina Nunes Ventura partilha com o marido a fé católica. E nunca o escondeu: na noite das eleições Legislativas de 2024 rezou ao lado do marido na igreja onde se casaram, em frente às câmaras – onde tem aparecido recorrentemente, embora passando relativamente despercebida.

Sem filhos, os dois vivem num apartamento no Parque das Nações, em Lisboa, propriedade dela.

Margarida Maldonado Freitas

A poucos dias de fazer 32 anos, António José Seguro subiu a uma coluna de som numa discoteca da Figueira da Foz para dançar. Havia deixado, há poucas horas, a liderança da Juventude Socialista (JS) e um grupo saído desse congresso de março de 1994 foi “aproveitar a noite”, recorda um dos presentes.

Às tantas, António Galamba – que esteve com Seguro na liderança da JS, amigo de toda a vida, que o acompanhou na direção do PS, na luta interna contra António Costa e volta a estar ao seu lado nesta candidatura presidencial – chamou-o para o apresentar a Margarida Maldonado Freitas, eleita naquela reunião para a comissão política da JS.

“Tozé” e Margarida estão juntos desde então e têm dois filhos, Maria e António. Casaram-se no início de setembro de 2001 – Margarida apenas pelo civil, mas acompanhou Seguro à igreja. António Galamba foi o padrinho de casamento (e Seguro viria a ser o padrinho de casamento de Galamba, a quem apresentou também a esposa deste). Todos os anos há festa para comemorar o casamento, rodeados por amigos, em Porto Covo, o refúgio de férias da família, como o casal contou à SÁBADO, nos últimos dias de descanso, em setembro de 2025, durante uma reportagem de preparação para as Presidenciais. A tradição do local de férias já vem da família de Margarida.

Maria Margarida Nave Nunes Maldonado Freitas, farmacêutica de 54 anos, é descendente de uma família de convictos republicanos das Caldas da Rainha, envolvidos na luta antifascista, que se dedicaram ao negócio das farmácias, e nas últimas gerações com ligações ao PS. “O pai de Mário Soares tinha uma relação muito próxima com o Custódio Maldonado Freitas, o bisavô da Margarida. Estavam unidos pelo anticlericalismo e pelo republicanismo”, conta o socialista Vítor Ramalho, que conhece as duas famílias. “Quando o pai de Mário Soares [João Lopes Soares] esteve preso nos Açores, os bisavós da Margarida ficaram com o Mário Soares um ano em casa, nas Caldas da Rainha”, continua.

Margarida acompanha Seguro em campanha
O casal em Porto Covo, nas férias
Margarida acompanha Seguro em campanha. Os dois estão ladeados pelos filhos
Margarida acompanha Seguro em campanha. Os dois estão ladeados pelos filhos
O casal no dia da votação na primeira volta
O casal no dia da votação na primeira volta
O casal no dia da votação na primeira volta
Margarida acompanha Seguro em campanha
O casal em Porto Covo, nas férias
Margarida acompanha Seguro em campanha. Os dois estão ladeados pelos filhos
Margarida acompanha Seguro em campanha. Os dois estão ladeados pelos filhos
O casal no dia da votação na primeira volta
O casal no dia da votação na primeira volta
O casal no dia da votação na primeira volta

A ligação entre as duas famílias continuou, bem como as afinidades políticas. O pai de Margarida, Custódio Maldonado Freitas (tem o mesmo nome do avô, em sua honra) integrou a concelhia socialista nas Caldas e chegou a ser deputado. Margarida, que cresceu num ambiente politizado, não renegou as raízes, mas mantém-se mais afastada. “A Margarida integrava as listas [da concelhia das Caldas] em lugares de pouco destaque. Quando fui presidente da mesa da comissão política da distrital de Leiria, participava nas reuniões e chegou a fazer parte da mesa, mas depois dedicou-se mais ao associativismo”, lembra o antigo dirigente socialista José Miguel Medeiros.

Margarida Maldonado Freitas fez parte da direção da Associação Nacional de Farmácias, enquanto geria duas farmácias de família, que herdou (motivo pelo qual Seguro assinou sempre, enquanto deputado, uma declaração de interesses quando se debatia este setor na Assembleia da República). Uma destas farmácias, entretanto desativada, é hoje simbolicamente a sede da campanha presidencial de Seguro nas Caldas da Rainha.

Margarida aparece ao lado do marido nos momentos essenciais da candidatura. “É uma mulher discreta, mas sempre presente e solidária”, descreveu-a Seguro, no livro Um de Nós, de Rui Gomes, publicado em outubro.

António José Seguro quer continuar a viver nas Caldas da Rainha com a mulher, que não tenciona reclamar o gabinete a que terá direito na Casal Civil se o marido for eleito. Margarida Maldonado Freitas quer manter a sua atividade profissional nas Caldas da Rainha. Só quando houver necessidade, Seguro equaciona dormir na residência oficial em Belém. A família tem ainda casa em Lisboa, mas esta está por conta dos dois filhos, estudantes universitários na capital.

Com Marco Alves

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