Guerra colonial

O 4 de fevereiro em Angola: a história de uma conspiração (segunda parte)

António Luís Marinho 09 de março

No dia seguinte à rebelião, todos a quiseram aproveitar politicamente: os movimentos independentistas, especialmente o MPLA, e Portugal, ao apontar ao comunismo internacional. Os Estados Unidos a investigar por si os acontecimentos.

A rebelião de 4 de fevereiro de 1961 foi aproveitada politicamente, quer pelos movimentos nacionalistas, especialmente o MPLA, quer por Portugal que, em plena "guerra fria", tentou o apoio dos Estados Unidos e outros países ocidentais, em nome do combate ao comunismo que, segundo a estratégia portuguesa, estaria na origem da rebelião de Luanda.
Por outro lado, os Estados Unidos, atentos a Angola, investigaram por sua conta a origem dos acontecimentos.

Aproveitamento político

O Movimento Popular de Libertação de Angola - MPLA, que se constituíra há um ano, e cuja direção estava sediada em Conacri, capital da República da Guiné, reivindicou logo no dia seguinte, através de um comunicado, a paternidade da rebelião.
Anos mais tarde, em 1990, um dos signatários do comunicado, Mário Pinto de Andrade, citado por António Pacheco, confessaria que essa reivindicação fora "uma mentira necessária" uma vez que "o movimento precisava de se legitimar internacionalmente sob pena de desaparecer" e que "o ardil político" visava dar-lhe "um cunho de maior autenticidade nacional".

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