Guerra colonial

Napalm por terras de Santa Comba

Napalm por terras de Santa Comba
António Araújo 12 de abril

Testemunhos e documentos mostram que as Forças Armadas dispunham das bombas incendiárias nas então colónias. E até houve empresas portuguesas a entrar no negócio do fornecimento.

A História tem destas histórias: por bandas de Santa Comba, terra de Salazar, na estrada que vai até Vila Nova de Foz Côa, existiu até há anos, e talvez ainda lá esteja, um campo de vinha vedado por bombas de napalm.

Desativadas, claro, as bombas foram compradas em 1988 por José Augusto Cardoso, conhecido na região por Zé da Várzea, que as trouxe de Lisboa, da antiga fábrica de material de guerra de Braço de Prata. No caminho, a GNR mandou parar o camião de transporte, intrigada com o arsenal carregado, mas o Zé da Várzea mostrou toda a documentação de compra, os selos, os carimbos, e não só o deixaram passar como lhe pediram para pôr as bombas frente ao posto da Guarda de Vila Nova de Foz Côa, onde estiveram por muitos meses, ou mesmo anos.

Depois, José Augusto Cardoso levou-as para a sua propriedade, para servirem de vedação e aviso aos intrusos. Entrevistado pelo Jornal de Notícias na sua edição de 15-XI-2004, disse que, além de serventia à lavoura, teve a ideia de comprar as bombas para dar "testemunho militar daqueles que combateram nas guerras coloniais, bem como todos os que sofreram com elas".

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