Morreu o escritor António Torrado

Lusa 11 de junho
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Poeta e dramaturgo premiado morreu em casa, em consequência de doença prolongada.

O escritor português António Torrado, autor de mais de uma centena de obras literárias, em particular para a infância, morreu esta sexta-feira em Lisboa, aos 81 anos, revelou à Lusa o escritor José Jorge Letria.

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Segundo José Jorge Letria, António Torrado morreu em casa, em consequência de doença prolongada.

Poeta e dramaturgo premiado, antigo professor do ensino secundário, António Torrado esteve desde cedo ligado à pedagogia, à produção literária para os mais novos, à recuperação e reinterpretação do conto tradicional e à promoção da leitura.

O mercador de coisa nenhuma, A chave do castelo azul e outras histórias e O veado florido são algumas das obras escritas por António Torrado, distinguido em 1988 com o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens.

Torrado recebeu esta distinção outras quatro vezes, em reconhecimento de títulos literários distintos: em 1980, com o livro Como se faz cor-de-laranja, em 1984, com O livro das sete cores, em 1996, com O mercador de coisa nenhuma e, em 1988, com As estrelas - Quando os reis eram príncipes.

Este foi um dos seus títulos incluídos na Lista de Honra do International Board of Books for Young People (IBBY), assim como O veado florido.

António Torrado nasceu em Lisboa, em 1939, formou-se em Filosofia em Coimbra e dedicou-se ao ensino na década de 1960, até ser afastado por motivos políticos.

Escreveu para jornais, trabalhou na área editorial, foi chefe do Departamento de Programas Infantis na RTP e "fundador de uma escola infantil e básica, pioneira em Portugal do Movimento da Escola Moderna", como refere a biografia na página da Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas.

António Torrado, que já deu o nome a várias escolas do ensino básico, foi ainda cofundador da Associação Portuguesa de Escritores, do Instituto de Apoio à Criança e da Sociedade Portuguesa de Autores.

Era membro da Associação Internacional de Críticos Literários, e foi responsável pela cadeira de Escrita Dramatúrgica da Escola Superior de Teatro e Cinema.

Formou professores em Portugal e noutros países de língua portuguesa, coordenou o curso anual de Expressão Poética e Narrativa do antigo Centro Artístico Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian, e trabalhou de perto em dramaturgias com o Teatro da Comuna, de que foi dramaturgo residente.

Em entrevista em 2010 ao jornal Público, quando completou quarenta anos de vida literária, António Torrado manifestava-se feliz por ser acarinhado pelos leitores e por ser lido por diferentes gerações.

"Já fiz tudo, já encantei gente. Tenho razões para me sentir feliz e realizado, mas, por outro lado, penso: e agora? O que é que me resta? Se isto é o resumo do que fiz, parece que é quase uma notícia necrológica, e eu não quero que seja. Não é por causa do medo da morte. Se ela viesse de um dia para o outro, não me custava nada. Ficar incapaz é que é chato, morrer não", afirmou na mesma entrevista.

A extensa obra literária de António Torrado, que soma perto de centena e meia de títulos, está traduzida em diversas línguas.