Almirante, candidato às eleições presidenciais, está apreensivo com a situação.
O candidato presidencial Gouveia e Melo considerou este sábado ilegítima a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, apesar das dúvidas sobre a democracia do Governo de Caracas, e alertou para os riscos da nova conjuntura internacional.
Gouveia e Melo, candidato às PresidenciaisDR
Estas posições foram transmitidas aos jornalistas por Henrique Gouveia e Melo na Feira de Monte Abraão, em Sintra, após ter sido confrontado com o "ataque em larga escala" ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que resultou na captura do chefe de Estado venezuelano, Nicolas Maduro.
Para o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, em termos de cumprimento das regras internacionais, a intervenção militar norte-americana na Venezuela "é ilegítima".
"É preocupante que países invadam a soberania de outros e que se resolvam, através da força, determinadas situações", salientou.
Na perspetiva do candidato presidencial, em termos de cumprimento dos tratados internacionais, a operação norte-americana pode ser definida como "não legítima".
"O resultado pode ser positivo ou pode ser negativo, mas a operação não é legítima. O Governo da Venezuela não cumpria também os requisitos da democracia, mas isso não significa que haja o direito de começarmos a intervir por isto ou por aquilo na soberania dos outros países", frisou.
Perante os jornalistas, o almirante apontou que, em fevereiro de 2022, contra a Ucrânia, "houve uma operação Z russa, e agora há uma outra operação, desta vez norte-americana, com o mesmo formato e com o mesmo feitio, para mudar o Governo, independentemente se é legítimo ou não esse Governo" de Caracas.
Gouveia e Melo ressalvou a seguir não estar a pôr no mesmo plano Donald Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, mas, antes, a salientar que "houve uma mudança no sistema internacional preocupante".
Neste ponto, o almirante foi um pouco mais longe, admitindo mesmo consequências políticas e diplomáticas negativas para os defensores da soberania da Ucrânia.
"A partir de agora, o que está em jogo é, de alguma forma, a legitimação também, indireta, da Operação Z da Federação Russa. E isso é uma coisa negativa. Nós, no ocidente, dissemos que era uma coisa que contrariava as regras internacionais e que era ilegítima. Portanto, o mínimo que devíamos fazer era não fazer o mesmo tipo de operações", advogou.
Em relação à posição da diplomacia nacional, Gouveia e Melo disse que importa acompanhar a situação com cautela e vincou que Portugal é um aliado dos Estados Unidos.
"A nossa comunidade na Venezuela preocupa-nos. É uma comunidade muito grande. Esperemos que a situação se resolva sem vítimas e sem problemas para além dos que já existem", declarou.
Nas suas declarações, Gouveia e Melo procurou também realçar a tese de que "o cenário internacional é preocupante".
"Tenho alertado para isto há muito tempo. Não sei se se lembram que um dos motivos que referi sobre as razões da minha candidatura presidencial era a existência de uma instabilidade internacional agravada com a chegada da administração Trump. Não estou aqui a criticar a administração, só estou a dizer que a chegada da administração Trump foi mexer no sistema internacional e foi agravar a mudança do sistema internacional", justificou.
Gouveia e Melo fez depois questão de assinalar que, na sua opinião, Portugal "está na aliança certa em termos defensivos", aqui numa alusão à NATO.
"Mas julgo que a preocupação com as regras internacionais nos deve fazer todos refletir seriamente sobre para que mundo estamos a transitar", sustentou.
O Governo de Caracas denunciou uma "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos, após explosões na capital durante a noite, e decretou o estado de exceção.
É desconhecido, para já, o paradeiro de Nicolas Maduro.
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