A vida de luxo: os milhões a que Sócrates perdeu a conta

Não tinha rendimentos além dos de primeiro-ministro mas dinheiro não lhe faltava: para gastos pessoais e também para distribuir pela família e amigas. O dinheiro vinha do testa-de-ferro Santos Silva.

Durante a fase mais secreta da investigação da Operação Marquês, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) contabilizou dezenas de entregas em dinheiro a José Sócrates. A longa operação de vigilância decorreu durante mais de um ano e só foi interrompida com a detenção do antigo primeiro-ministro a 21 de Novembro de 2014.

Na documentação da Operação Marquês, o Ministério Público (MP) preocupou-se em identificar ao pormenor as datas e os montantes de muitas das entregas em numerário, chegando os investigadores a revelarem de forma genérica que o total do dinheiro levantado do ex -BES (depois Novo Banco), do Barclays Bank e do Montepio Geral e destinado a Sócrates (as contas eram tituladas por Carlos Santos Silva, a mulher, Inês do Rosário, a filha menor e o advogado Gonçalo Ferreira, que trabalhava para o empresário considerado pelo MP como o testa-de-ferro do antigo líder socialista) atingiu "cerca de 1,5 milhões de euros, desde o início de 2012 até Novembro de 2014".

O montante total, que não incluiu sequer os 775 mil euros dos três apartamentos, dois em Sintra e um em Lisboa – pelos quais o antigo líder do executivo terá recebido mais de 520 mil euros –, que Santos Silva comprou à mãe de Sócrates, foi aumentando à medida que o tempo passava. Durante os interrogatórios iniciais de Novembro de 2014 no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), que decretaram a medida de prisão preventiva de Sócrates e Santos Silva, o MP argumentou que o valor em numerário transferido do empresário para o ex-líder socialista foi de cerca de 1,1 milhões de euros.

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