Zia Faruqui reconheceu que o suspeito está a ser maltratado na prisão e denunciou as condições severas em que tem vivido.
Um juiz federal criticou duramente os funcionários da prisão de Washington, D.C pela forma como trataram o homem suspeito de ter tentado assassinar o presidente Donald Trump, durante o jantar dos correspondentes da Casa Branca. O cenário foi considerado preocupante pelo juiz Zia Faruqui, e levou-o até a fazer um pedido de desculpas a Cole Tomas Allen, na segunda-feira. "Peço desculpa por tudo o que passou", lamentou durante a audiência.
Cole Tomas Allen durante a audiência de segunda-feiraDana Verkouteren via AP
No domingo, Zia Faruqui já tinha expressado "sérias preocupações" com a forma como Allen estaria a ser tratado sob custódia. Segundo o juiz, o suspeito foi colocado num "confinamento solitário" severo, o que significa vigilância temporária contra o suicídio, permanência 24 horas por dia numa cela iluminada, proibição de fazer telefonemas, ler livros e material religioso ou de ter tempo de lazer.
Na opinião de Faruqui o suspeito está a ser submetido a uma medida injustamente punitiva, que nem sequer é baseada em qualquer avaliação médica conhecida. "Ele está a ser tratado de forma diferente de qualquer outra pessoa que eu já tenha visto", denunciou.
Faruqui enfatizou ainda que, apesar das graves acusações que Allen enfrenta, o tribunal e a prisão têm o dever de presumir a sua inocência, até porque o suspeito não possui antecedentes criminais. Pediu, por isso, que os funcionários da prisão de Washington, D.C., o informassem até à manhã desta terça-feira sobre quando é que o suspeito seria transferido para condições menos restritivas.
“Ele pode ser mantido em segurança e tratado com dignidade. No momento, isso não está a funcionar. Acho que é juridicamente deficiente e, se o Departamento de Correções não conseguir resolver o problema, falarei com o Ministério Público Federal", avisou. "Sei que eles têm outras instalações com as quais podem firmar contrato. Se vocês não conseguirem lidar com isso, teremos que reavaliar a situação com os agentes federais e o Departamento de Justiça."
Durante a mesma audiência, os procuradores pouco disseram: afirmaram apenas que Allen havia informado o FBI, na noite da tentativa de assassinato, de que esperava não sobreviver. Este comentário foi o que levou as autoridades a acreditarem que havia um risco de suicídio por parte dos suspeito.
Faruqui discordou, no entanto, destas alegações e recordou que não foi isso que foi considerado pelos profissionais de saúde. Disse até ter interpretado essa suposta declaração como uma indicação de que esperava ser baleado.
Mas o juiz não se ficou por aqui e na segunda-feira alertou que a sua maior preocupação é que o caso de Allen possa ser apenas um de grandes problemas que se verificam dentro da prisão. "O que acontece com as pessoas ou milhares de casos de pouca repercussão?".
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Polícia investiga casa que será do suspeito do ataque no jantar com Trump
Allen, de 31 anos, natural de Califórnia, é acusado de ter tentado invadir o jantar na Casa Branca a 25 de abril, numa tentativa de matar Trump. O homem foi detido quando tentou ultrapassar o perímetro de segurança perto do salão de baile, o que provocou uma troca de tiros com agentes dos Serviços Secretos - encarregados de proteger o evento. O presidente não ficou ferido. Apenas um dos agentes que usava um colete à prova de bala foi atingido, mas sobreviveu.
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